Keep Calm

Eu sei que isso tem tudo pra dar errado – falar sobre coisas passadas nunca dá muito certo – mas “keep calm” e lê até o final.

Eu acabei de dizer tchau pra ti e pra tua família. A lembrança do teu pai assistindo o GreNal me faz rir (o Grêmio ganhava do Inter de 2×0). Isso só não me faz rir mais do que aquela vozinha irritante que tu faz quando diz “Bom dia, amorzinho da minha vida inteira” ou aquela camisa da Avon.

Fiz um trajeto diferente pra ir pra casa. Era uma serra linda, cheia de curvas e lindas paisagens. O pôr-do-sol das 20h deixava tudo mais bonito e tudo que eu podia pensar era: “Um dia, eu tenho que trazer ele aqui”.

O final de semana foi… foi… hummmm, foi muito bom demais mesmo elevado na enésima potência. Eu repassava tudo o que aconteceu nesses últimos dois dias, cada hora dessas últimas 35 horas. E nesse passo a passo do final de semana que tu tive vontade de escrever algo bonito sobre nós, que pudesse descrever o quanto eu gosto de ti e o quanto tu me faz feliz. Algo sobre como eu fico sem ar quando eu to contigo, mas peraí, eu não sinto isso contigo.

Muitas vezes, escrevi sobre essa falta de ar quando achava estar apaixonada, mas eu não tenho isso contigo. Contigo, eu sinto um aperto no coração quando tenho que dar tchau e luto contra as lágrimas que insistem em cair à cada despedida. Contigo, quando chego na Sinimbu, meu coração já começa a disparar de ansiedade, ainda mais que mudaram o sentido da rua que eu sempre desço pra te encontrar e eu tenho que dar a volta na quadra. Contigo, não consigo ter qualquer sentimento ruim por muito tempo. Mas nada de falta de ar.

Então, entendi. Aquela sensação de dificuldade de respirar não era por gostar de alguém da maneira tão romântica que eu descrevia. Na realidade, era como se eu meio que esquecesse de viver, de aproveitar a vida. Mas contigo, é o oposto. Eu sou cheia de ar, porque tu me faz querer viver. De uma maneira simples e intensa, tu me ajuda a realmente viver a vida. É por isso que é tão diferente contigo. É por isso que tinha que ser tu, desde o início. E é por isso que eu te amo.

Será que deu pra entender?

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Pane No Sistema?

Eu nunca fui muito boa com essas coisas de informática. Quando vou baixar um programa que faz muitas perguntas sobre o tipo de instalação que eu prefiro, desisto de instalar com medo que seja vírus. Muitas vezes, sem querer, acabo baixando aqueles “toolbar” chatos que ficam piscando propagandas e oferecem um monte de “emoji” ou “emoticons” (não sei se ainda chamam disso). Aí, eu tenho que ir no painel de controle e desinstalar o programa indesejado.

Eu queria que a dor e a saudade viessem com a opção “desinstalar” também. Tá certo que eu escolhi te amar, mas quando cliquei em “li e concordei com os Termos de Uso”, isso não tava incluso. Se bem que ninguém lê aquilo, né? Bom, agora é assim, essa angústia no meu peito parece se instalar toda vez que tu não estás. E não tem ctrl + alt + del que resolva, amigo. Nem F5 atualiza mais, é só aquela velha e boa vontade de te ver.

Quem sabe um dia desses, o meu anti vírus funcione e me alerte desses possíveis riscos, ou eu escolha a opção de instalação recomendada ou encontre um emulador sem muitas complicações. Até lá, vou tentando aprender a conviver com essa versão – talvez ultrapassada – do meu coração.

A Mala

Era um daqueles dias que tudo dá errado. O alarme não soa, tu perdes o ônibus, derramas molho de tomate na blusa branca durante o almoço, o chefe grita pelo escritório pedindo por um grampeador que estava do lado do mouse dele e, na volta pra casa, começa a chover.

Como de costume, quando cheguei na parada de ônibus, coloquei os fones de ouvido. Lá, as mesmas pessoas, com as mesmas expressões cansadas, penteados excêntricos, e sorrisos forçados. Fechei os olhos tentando me perder em qualquer música aleatória.

Quando abri os olhos, percebi que havia passado mais de uma hora e meia. Não havia nada nem ninguém na parada. Nada exceto por uma mala. Quem deixaria aquilo ali? Não sabia o que fazer com aquilo, então não fiz nada.

Nos dias que se seguiram, a mala continuava lá, intacta. “Que diabos?”, pensei comigo mesma. Ninguém havia nem mesmo olhado por curiosidade. Era como se somente eu pudesse vê-la. Não sei se acidentalmente de propósito ou propositadamente sem querer, mas eu abri aquela mala.

Com muito cuidado e apreensão, fui explorando seu conteúdo. Para minha surpresa, havia muitas coisas minhas ali. Ou coisas tão parecidas com as minhas. Umas tão bonitas, outras nem tanto. Cada papelzinho amassado e rabiscado, cada fotografia, cada ingresso, cada encarte de CD, cada lembrança fazia com que eu quisesse aquela mala pra mim.

Tomei-a para mim. Não era minha, mas chamava meu nome. E agora, eu não sei mais se ela é minha ou eu que sou dela!

Super Certo

Antes de ti, eu tinha medo de deixar alguém entrar na minha vida de novo. Eu não queria namorar, não queria conhecer ninguém, porque relacionamento era sinônimo de drama. Eu só queria trabalhar e estudar. Simples, mas a vida não podia ser simples assim. Foi fácil me apaixonar por ti e, felizmente, sem drama.

Agora eu quero tudo. Todo o pacote. Compromisso, casamento, aquele apartamentozinho do qual a gente já falou, uma vida a dois. Talvez em alguns anos, vida a três, a quatro e quantos mais vierem por aí. Quero os problemas e as dificuldades que virão. Quero brigar e desejar nunca mais te ver e mudar de ideia 2 segundos depois quando tu me olhas com aquela cara de “Peraí. Vamos tentar de novo”. Quero chegar cansada do trabalho e te ver. Quero ter o dinheiro contadinho pra pagar todas as contas no fim do mês e ver que a gente não vai morrer de fome. Quero conquistar as coisas contigo. Quero mesmo!

Quero tudo isso, não pelo que eu sinto quando tu estás aqui. Muito pelo contrário. Eu quero tudo isso justamente pelo que sinto quando tu não estás aqui. Essa solidão e saudade que me rasgam o peito já ultrapassaram a data de validade e agora só deixam um gosto amargo na minha boca. Eu quero tudo isso, porque dói viver sem ti, mesmo sabendo que tu tá ali, a uma hora e meia de distância. Eu quero tudo isso, porque eu já percebi que viver contigo é muito melhor do que viver sem ti.

A gente tinha tudo pra dar errado, mas, de alguma forma ainda desconhecida, a gente deu super certo.

Pra Medir Amor

Eu nunca aceitei muito a idéia de que algo não possa ser medido. Se há centímetros, quilos, gramas, onças, polegadas, quilômetros, litros, toneladas, eles devem servir pra alguma coisa. E amor, como é que se mede?

Eu acho que é com ações, mais do que com palavras. Mais com a freqüência cardíaca do que com boas intenções. Mais com o ceder do que o manipular. Mas muito mais do que isso, podemos medir amor quando o desejo de fazer a outra pessoa feliz é muito maior do que termos nossa própria felicidade, sem transformar-se numa obsessão.

Equilíbrio. Podemos medir amor com equilíbrio. Sem dar demais e sem receber demais. Sem exigir demais e sem exigir nada. Quanto mais equilibrada for a troca de “meus” e “teus”, mais amor a gente pode criar junto. E eu acho que é por isso que é tão fácil te amar, porque tu me ajuda encontrar a esse equilíbrio e eu não consigo ser egoísta contigo.

Me Deixa Doida

Ah, tu me deixas doida.

Eu não gosto do quanto tu gostas de tirar sarro de mim só pra me ver irritada. Ainda mais quando tu te juntas com meus primos ou nossos amigos só pra me zoar. E é muita hipocrisia vir todo se querendo depois, tentando se redimir, pedindo por um abraço.

Me incomoda o quanto tu queres ganhar de mim nas coisas, sempre me desafiando ou ficando no outro time pra tentar provar algo. E quando eu ganho, tu que ficas mais de cara, prometendo revanche.

Me irritas muito que a tua companhia telefônica só dê problemas no meio das conversas mais importantes e sérias que a gente tem. Me irrita que a gente tenha que ter essas conversas pelo telefone. A distância me irrita.

Me irrita quando tu ficas meio chato e não levas nada a sério, brincando o tempo inteiro com tudo.

E me irrita muito mais do que qualquer coisa que eu não consiga ficar irritada contigo. E eu juro que eu tento, mas não dá. Apesar da tua companhia telefônica sempre cortar nossas conversas, eu ainda continuo te amando, porque toda vez que eu te ouço dizer “alô”, meu mundo fica melhor. E é só isso que eu peço de ti!

É por isso que mesmo que tu sejas muito chato, que tu adores competir comigo ou tirar sarro de mim só pra me ver brava, eu continuo dizendo que sim quando tu me perguntas se eu tenho certeza que quero ficar contigo. Porque são essas coisas que tanto me irritam que me dão mais certeza de que é tu quem eu quero consertar (ou estragar).

Indo Embora

Dizer adeus sempre foi uma coisa difícil, tipo quando minha irmã mais velha foi pra São Paulo ou quando minha irmã do meio foi pra Minas, mas dizer tchau pra ti é quase impossível. E eu sei que essa declaração vai render milhares de comentários ciumentos delas, mas é verdade.

Quando tu pegas o ônibus e vais embora, eu sinto que um pedaço de mim se vai também. Mesmo sabendo que dentro de 5 ou 6 dias, eu vou te ver de novo. Quando tu vais embora, o teu perfume me persegue. É sempre assim depois que tu vais embora: eu fico pensativa, tentando entender o que acabou de acontecer, as palavras que tu acabaste de dizer, e tudo que me fizeste sentir. As pessoas dizem que eu fico meio boba. Fico mesmo!

E quando eu vou embora, eu fico ouvindo aquele reggaezinho maroto só porque tu gosta. Fico repassando o filme dos últimos dois dias na minha cabeça e gasto todo o estoque de memórias que iam me ajudar a passar a semana em apenas duas horas. Fico lembrando do teu sorriso largo sempre que me vê, do almoço com a minha família, do futebol com as crianças e da tentativa fracassada de me ensinar a tocar harmônica. Lembro do jogo da copa com os teus amigos e os amigos dos pais dos teus amigos. Galera gente boa! Como será que o Igor tá, hein?

Quando eu vou embora, fico inquieta no ônibus. Pego o celular e começo a escrever. Apoio os joelhos no banco da frente, a moça quase já deitou o banco no meu colo mesmo. Cruzo e descruzo as pernas enquanto escrevo. Checo o celular. O rapaz do meu lado fica me olhando de canto. Mas o que é que eu posso fazer?

E assim vai, a cada semana. E mesmo sendo ruim, é bom.