Há algumas primaveras

Quando eu era criança, as minhas pernas estavam sempre cheias de machucados. Eu estava sempre fazendo coisas malucas. Eu subia em árvores o mais alto que eu podia ou eu me pendurava de cabeça para baixo em algum galho, sustentada somente pelas forças das minhas pernas.

A maioria dos meus amiguinhos de infância eram meninos. Na igreja, havia seis meninos – da minha idade – e três meninas mais. Duas delas eram as minhas irmãs e, por eu ser menor, elas sempre acabavam me excluindo. Conviver com meninos se tornou algo natural pra mim. Eu estava sempre brincando de pega-pega com eles ou perseguindo-os.

Na escola não foi diferente. Como eu sempre fui alta (e a última da fila), eu me sentia estranha perto das meninas. Eu vivia jogando futebol, bolinha de gude e tazo com os meninos no recreio.  Eu era a melhor amiga dos meninos enquanto as meninas morriam de amores pra eles. Essa lembrança me faz rir. Eu costumo brincar que eu era o menino que meu pai nunca teve.

Eu já quebrei o braço duas vezes e meu pé esquerdo quatro vezes – sempre de uma maneira estranhamente nova. Eu não me arrependo de nada. Fiz de minha infância a melhor possível, mesmo não me comportando como uma “menina normal”. As coisas de meninas eram ridículas e sem importância. Coisas de meninas não eram emocionantes e perigosas. Eu precisava de algo que fizesse meu sangue correr mais rápido. Eu era uma viciada em adrenalina. Talvez seja por isso que eu goste tanto de viver intensamente e por isso que eu me meta em tantas confusões.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s