protesto contra o amor

às vezes peco na vontade

Cheguei em casa tarde esses dias. Fui dar uma volta pelo quarteirão só pra ver se eu achava aquilo que eu não fazia ideia do que fosse. Precisava respirar um pouco, tirar aqueles sentimentos inomináveis de dentro de mim. Precisava de algo que me fizesse acordar desse sonho bizarro que eu chamo de VIDA. O ar pesado da noite fria só me deixou mais bucólica, mais inglesa, com mais vontade de caminhar pela noite sem fim, então o quarteirão se tornou em cidade enquanto em seguia indo exatamente pra lugar nenhum. Com as mãos no bolso e a cabeça erguida, conseguia ver minha respiração se transformar em uma fumaça densa por causa do frio. As luzes dos carros passavam rapidamente por mim, cegando-me momentaneamente. Sentei no cordão da calçada, impaciente e inquieta, na posição de buda.

O problema era tu. Tu que não te decides, tu que não me amas do jeito que deverias, tu que me amas do jeito que gosto, tu que acordas no meio da noite e vai embora, tu que decides ficar pra sempre. Tu és o que eu procurava no meio da noite, porque o cordão da calçada no qual eu sentei dá de frente pra tua janela que fica do outro lado da rua. Tu devias estar dormindo, numa festa, com outra garota ou na frente da minha casa, porque eu nunca sei com qual humor eu vou te encontrar. Não sei se amanhã, tu vais estar com uma vontade louca de me ver ou se vais sumir por uma semana ou duas. É tudo difícil pra ti ou nada é bom o suficiente. Eu até já me acostumei com as tuas esquisitices, com as tuas manhas, com a tua bipolaridade. Do que mais tu precisas pra perceber que eu sou exatamente o que tu também procuras?

Um dia, tu vais acordar e vais perceber o que tu tens nas mãos, mas e se eu já tiver desistido e partido pra outra? E se quando tu me procurares, eu estiver com outro? E se não conseguir ficar braba contigo por gostar demais de ti já tiver enchido o saco? E se ficar acordada noites a fio por não conseguir esquecer o teu sorriso encantador já estiver ultrapassado? Diz pra mim, o que tu vais fazer? Diz pra mim quem é parecida comigo? Fala pra mim quem vai te aturar por quem tu és, quem vai apoiar as tuas loucuras, quem vai suportar a tua indecisão?

Ninguém. Ninguém tem a paciência que eu tenho. É por isso que eu esperei por tanto tempo, mas essa história tá ficando velha e mesmo adorando o furinho da tua orelha onde ficava o teu brinco, eu não tenho mais paciência. Tô desistindo. Eu sei que eu já disse isso milhares de vezes antes, mas agora é sério. Tô abrindo mão de amar. Esse amor que todos parecem estar atrás me irritou. Vou tentar ser feliz sozinha pela primeira vez na vida. Aí todos gritam: MAL AMADA. Mas não é isso.

Mubarak acaba de renunciar a presidência do Egito e eu aqui ainda, paralisada pela impotência ou involuntariedade do meu coração de te largar de mão. Eu preciso tentar achar o eu que me resta, porque eu dei tanto de mim pra ti que ando sem identidade.

 

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