Vivendo de Mentiras

Durona. Poderia me descrever dessa maneira. Orgulhosa? É, quem sabe um pouquinho, mas é que eu preciso ser assim, só como medida preventiva. Mentirosa? Sim, uma grande mentirosa. Minto, porque se faz necessário. Minto pra não me perder nos meus desejos. Minto para sobreviver. É por te querer de verdade que eu tenho medo e minto. Por te querer mais do que eu deveria.

Eu tenho medo que o meu amor seja tão grande que acabe te sufocando e é por isso que eu digo pra mim mesma te amar menos, te querer menos, me derreter menos com qualquer olhada profunda ou sorriso largo. Assim, eu vivo melhor. Assim, eu consigo não me entregar tão rápido. Assim, eu consigo te amar por mais tempo. Contra tudo que é convencional e correto, sigo vivendo de mentiras.

Vivo de mentiras, porque foi o único meio que eu arranjei pra me proteger das feridas que o amor deixa por todo meu corpo quando se vai porta à fora. Eu digo pra mim mesma que tu não és tão legal assim, nem é bonito e tão cheiroso como o fulaninho-de-tal. Não te acho querido e o amigo que eu precisava e os teus olhos sempre brilhantes são um reflexo da luz solar (ou lunar) e não amor. Eu digo pra mim mesma que eu não te quero tanto assim, que eu só fico sorrindo como uma boba pra te enganar e que o fato de tu me entenderes tão bem é resultado do alinhamento dos planetas ou daquele signo novo que deixou tudo de pernas pro ar. Confusão. Isso, convenço-me que tu estás apenas confuso.

Preciso de qualquer desculpa ou motivo idiota suficiente para exagerar e usar como escudo. Faço isso pra que eu possa mentir pra mim mesma que essa estratégia funciona. Então tu te tornas menos do que tu realmente és. Não, tu não tens o melhor abraço de todos, nem o melhor carinho que eu já recebi, nem tem o poder de me arrepiar toda só com um simples olhar. Tu nem és tão romântico, tão homem, tão exatamente o que queria. E digo pra mim mesma que eu posso te abandonar e ser feliz a qualquer momento, mas nunca é fácil dizer ‘adeus’ ou ‘até logo’  quando eu vejo os teus olhos apaixonados me pedindo pra ficar mais um pouquinho. Só que a gente sabe que esse ‘pouquinho’ significa pra sempre e eu não posso ficar pra sempre. Não agora, pelo menos.

Um dia, eu não precisarei de mentiras pra viver. Serei livre pra poder me entregar às garras do amor novamente e me abrir por completo, te mostrar as minhas fotos de criança – mesmo morrendo de vergonha – e te contar as minhas histórias mais engraçadas e tristes. Um dia, vou te deixar fazer parte de toda a minha vida e não só da parte que eu seleciono pra ti. Mas tudo que eu posso te dar agora são pequenas mentiras e pouquinhos do que eu tento esconder.

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2 comentários sobre “Vivendo de Mentiras

  1. Muito bom! E isso é uma realidade na vida de uma garota adolescente. Sei muito bem disso.. rs. Continue escrevendo, você tem MUUUITO talento! Adorei teu blog 😀 Beijos.

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