um pouco de solidão

Mais uma noite, somos eu e meu computador. Mais uma noite em que tu não estás. É tarde, escuro e frio lá fora e eu fico dentro de casa pensando no teu aconchego e no teu calor. Forço-me a escrever quaisquer linhas, porque o fardo do silêncio já não me machuca como uma picada de mosquito, mas como uma espada que corta os meus tecidos, penetrando fundo e lentamente a carne, as veias e os órgãos.

Cada dia é tortura. A distância me muda, me piora, me enlouquece. Cada sorriso e cada momento parecem incompletos. Ah, a amargura de amar. Eu me envolvo com o cobertor que tu usaste da última vez que estiveste aqui e continuo escrevendo. Eu nem sei mais porque escrevo, tu pareces ignorar meus pedidos. Mas as linhas preenchidas andam ajudando mais do que o calmante que eu tomo com água no copo de requeijão que tu deixaste aqui.

E toda vez que meu GPS me pergunta “Qual seu destino?” eu penso em colocar o teu nome para ver se ele te encontra por esta cidade. Ou quem sabe tu já tenhas te mudado para outro país. Mesmo se o resultado da procura por ti fosse Quinto-Dos-Infernos, eu iria te encontrar, mas não há resultado e tu permaneces foragido, os dias correm iguais e a dor continua latente.

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