A Última Carta

(escreva aqui o nome dele/dela)!

Oi, tudo bem? Como anda a tua vida? O que tu tens feito? Eu só querias te dizer que eu estou ótima. Recuperada do desamor e da decepção que me causaste. Recuperada porque eu gostei de ti. Gostei de verdade, mas todos os meus esforços de te fazer ver o que eu sentia foram como tentar fazer dois corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo: IMPOSSÍVEL e INÚTIL.

Depois de ti, todos os caras que eu conhecia passavam por um processo escroto e involuntário de comparação com tua pessoa e nenhum deles parecia ser bom o suficiente. Então eu resolvi te esquecer de vez. Confesso que foi difícil, porque pra deixar de gostar de ti eu tive que achar algo igualmente forte e oposto ao sentimento de carinho que eu tinha. Então eu tive que te odiar. E eu odiei. A pronúncia do teu nome me enojava e eu odiava vê-lo ao olhar para a capa do bebedouro, para aquela empresa transportadora, para aquele mini-mercado, para aquele banco de praça, para aquele casal que anda de bicicletas, mas agora me é indiferente.

Tu finjes que sente muito e eu finjo que acredito. Tu finjes que não lês o “endereço da minha mente” e eu finjo que não sei que tu o lês. Mas agora chega. Chega de fingir. Chega porque eu cansei.

Cansei de me sentir infantil perto de ti. Cansei de não me sentir mulher. Cansei de parecer doida só porque eu gosto de rir do nada, só porque EU sou feliz. Cansei de ser anulada pela tua necessidade de autoafirmação e pela tua insensatez. Cansei de ouvir “um dia eu posso mudar” ou “quem sabe daqui a alguns meses”. Cansei de não ter compromisso. Cansei de não poder olhar para ti de um jeito diferente ou quase falar algo e desistir e ser bombardeada com ‘o-que-foi’, ‘o-que-tu-ias-dizer’ ou ‘o-que-aconteceu’.

Por que algo tem que ter acontecido? Eu sou feliz do jeito que eu sou. Eu brinco com todos, puxo conversa, ajo como criança, rio sem motivo aparente, estou (quase) sempre alegre sem nenhum motivo especial. Mas tu queres saber o que aconteceu? Tu me aconteceste. Tu estraste na minha vida e a bagunçaste e não fizeste nada para impedir. Fizeste o que quiseste e abandonaste-me sem pensar duas vezes quando algo melhor ou mais conveniente te foi oferecido.

Eu não quero e nem vou mais fingir, porque eu não preciso disso. Eu tenho conseguido viver bem sem a tua presença. Ver-te não me machuca mais e eu não penso mais em ti. Não da maneira como pensava. De vez em quando, alguma piada me lembra de ti, mas me lembra da época em que éramos amigos ainda.

A-M-I-G-O-S. Eu nunca pensei que fosse te ver assim novamente. Acho que tudo o que precisávamos era tempo. Foi o tempo que, numa enorme coincidência, fez com que eu olhasse para a janela do ônibus em que tu estavas. Foi o tempo que fez com que eu te abanasse com um sorriso sincero no rosto após tu teres me dado oi. Foi o tempo que curou a minha ferida. Amigos. Dá pra acreditar?

Aquele foi um tempo bom, o tempo em que éramos amigos. Acho que é por isso que te escrevo esta última carta: para tentar retomar o sentimento de amizade que tínhamos. Sem ressentimentos, mágoas e raiva. Somente dois idiotas que viviam de piadas.

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2 comentários sobre “A Última Carta

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