Com Classe!

Ela se achava mulher suficiente para saber se cuidar. Ela se achava durona e inteligente demais para cair na lábia de qualquer um. Entretanto, ela não contava com o fato de ser suscetível ao amor como todos os outros frágeis seres humanos.

Era uma quinta-feira, véspera de feriado, e as amigas queria ir a uma festa só para poderem dançar e rir um pouco. Muito relutante, ela decidiu aceitar. Não se produziu muito: calça de couro, blusa cinza mais comprida e justa e um salto alto preto. Os cabelos castanhos claro com leves luzes estavam soltos e passou uma maquiagem básica: base, lápis de olho, sombra, gloss e blush.

Ao chegarem, se reuniram aos amigos. Ela foi para o bar comprar uma água. Enquanto esperava, um rapaz chegou ao seu lado e começou a puxar conversa. Ela educada, respondia, mas estava louca para pegar sua água e cair fora dali. Ele não era feio e esse era o problema. Ele tinha aquele jeito de experiente e sabidão e isso a irritava.

– “Desculpa, mas eu não estou interessada!”, ela o interrompeu enquanto ele explicava algo sobre o reflexo das luzes da festa em contraste com os olhos cor de mel dela.

– “Ah… Bem… É que… er… É que eu te vi entrar e senti que devia falar contigo. Eu não sei porque eu me escuto. Desculpa qualquer coisa, tá? Acho melhor eu ir indo, não é?”, ele falou todo atrapalhado.

Ela sorriu, acenou com a cabeça e se virou para pegar sua água.

– “Só mais uma coisa!”, ele disse.

Quando ela se virou, ele a abraçou pela cintura e a beijou. Ela, saber ao certo o que estava acontecendo, retribuiu o beijo. E foi naquele exato momento, no momento do beijo, em que ela se perdeu. Foi ali que a mulher se tornou uma criança e que a dureza e inteligência se esvaíram de seu corpo.

Começaram a namorar duas semanas após aquele primeiro encontro. Ele lhe deu um anel de compromisso e na mesma noite sussurrou em seu ouvido: EU TE AMO! Ele lhe dava muitos presentes, mandava mensagens e planejava viagens, mas ela sabia que ele não era perfeito. Ele constantemente a desapontava.

Não era nenhum conto de fadas. Ela o sabia. Ela nunca pensara assim, mas ela o amava. Não o amava pelos presentes ou por ter sido ele o primeiro a pronunciar aquelas três palavras, mas amava-o pelas qualidades e pelas imperfeições que estava decidida a ajudá-lo a melhorar. Amava-o por quem era quando não estava perto dos amigos e por quem poderia se tornar. Antes não o amasse, pois seria mais fácil enxergar quem ele realmente era.

Após dois meses, as coisas iam bem. Num dia, enquanto ele estava no banho, seu celular apitou anunciando uma nova mensagem de texto. Ela decidiu que ele não se importaria se ela visse o conteúdo da mensagem. Ao abrir o celular dele, ela leu:

– E aí, Fernando, como vai a garota da aposta? Ainda estão namorando? Mais um mês e tu ganha a aposta hein?! hahaha Ah, a Marcela disse que está com saudades e que vai estar hoje à noite lá no Jorge. Abraço.

No exato momento em que ela terminou de ler a mensagem, ele saiu do banho. Ela se virou lentamente para ele e ele sabia que algo estava errado quando viu seu celular na mão dela. Ele sabia o que tinha acontecido.

Deixa eu explicar.

– Saí da minha casa.

Ela começou a juntar as coisas dele pela casa e começou a analisar cada desculpa, cada motivo para os atrasos, os cancelamentos ou os desaparecimentos.

Vanessa, deixa eu explicar. No início foi uma aposta, mas…

– Saí daqui.

Ela não sabia como pode se deixar ser enganada daquela forma. Então todos os momentos que passaram juntos nos últimos dois meses não era amor afinal. Era apenas o produto de uma aposta.

Amor, calma. Desculpa, Nessa. A gente pode dar passar por cima disso.

– Não me chama de amor e a minha vontade é de passar por cima de ti com o meu carro.

Ela o empurra para o corredor e tranca a porta. Ele fica lá pingando e enrolado na toalha enquanto a Dona Mariza do apartamento da frente sai com o Rufus para passear. Ela abre a porta e ele respira aliviado.

– “Essa toalha é minha!”, ela diz enquanto puxa a toalha da cintura dele e o deixa nu no meio do corredor. “Agora eu te perdoo!”, ela diz em meio aos risos e o deixa lá. Liga para as amigas.

– “E aí, gurias. Aonde vamos hoje à noite?”

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