Sapos-Príncipes e Medusas

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“Eu sei que eu não sou uma princesa, mas será que eu também não posso ter um final feliz?”, ela se questionava. “Eu nunca vou encontrar alguém!”, ela então pensava todos os dias ao ir dormir cansada e sozinha à luz do luar que adentrava o seu quarto pela janela aberta. O seu rosto, agora pálido por refletir a luz clara da lua, ficava encarando o teto até adormecer num sono pesado e ela esperava sonhar com seu príncipe que deveria ter se perdido no caminho. Na manhã seguinte, acordava frustrada ou por não ter sonhado com o que desejava ou por não lembrar do rosto angelical que havia visto nos sonhos.

Nessa espera pelo tal príncipe perdido, outros sapos vestidos de príncipe apareceram em seu caminho prometendo-lhe quebrar o feitiço que deveria ser inquebrável e salvar-lhe das garras do horrível dragão ou da bruxa malvada, dando-lhe assim o final feliz tão esperado. Mas as vãs promessas se desfaziam no ar e no final do dia ela acabava sozinha novamente e cada vez mais quebrada. Não havia ninguém por perto para juntar os pedaços cada vez menores de uma garota simples com um sonho que agora tornara-se mais simples ainda.

Ela não queria mais um príncipe, nem queria alguém que ela gostasse muito. Só queria alguém que não a magoasse tanto, alguém que não fizesse uma ferida mais profunda no seu coração agora pequeno por causa dos inúmeros pedaços que cada um dos Sapos-Príncipes havia levado consigo como um troféu doentio. A tal luz no final do túnel havia se apagado e a imortal esperança havia morrido. Sim, ela havia desistido do amor. Tornara-se indiferente e insensível a ele.

E assim seguia sua simples vida. Acordava pela manhã, cumpria com suas obrigações no trabalho, tirava boas notas na faculdade e sorria sempre que necessário. À noite, na quase escuridão de seu quarto, onde a lua sempre vinha visitá-la, ela mostrava para as paredes verdes, para os retratos nas estantes e para as roupas espalhadas pelo chão quem ela realmente era: uma menina sozinha; e o que realmente sentia: solidão!

Então ela conheceu o rapaz que mais tarde mudaria toda a situação. Ele até era divertido, mas ela viria a descobrir que tão frio em relação ao amor quanto ela. Não sabendo quando, não sabendo o porquê, os desapaixonados se apaixonaram. Somente alguém tão aversivo ao amor quanto ele para ver o que ela escondia debaixo daquela armadura invisível que carregava e somente alguém tão aversiva ao amor quanto ela para amolecer o coração dele, que outrora fora transformado em pedra por algumas Medusas em seu caminho.

E foi assim, simples e rápido. Uma conversa longa, uma janta e uma caminhada de volta para a cada dela foram suficientes para que eles percebessem que talvez a luz no final do túnel não houvesse se apagado realmente e que a imortal esperança fosse imortal no final das contas. Era como se as engrenagens que faltavam nos buracos que havia em seus peitos se regenerassem e os corações deles voltassem a bater e eles sentissem seu sangue circular por cada veia e artéria novamente. Era como se estivessem vivos mais uma vez e agora pudessem sentir o calor um do outro ao se abraçarem, ao se beijarem ou somente ao darem as mãos.

Talvez o “Felizes Para Sempre” esteja longe ainda, mas os Sapos-Príncipes e as Medusas certamente não enganaram estes dois amantes novamente. Uma vez que o amor de verdade é sentido, nada por ser feito para destrui-lo.

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6 comentários sobre “Sapos-Príncipes e Medusas

  1. Nanda disse:

    Que liiindo Dinha *——-*

    Ler teu texto hoje foi uma coincidência muito grande. Lembra da comunidade que tu perguntou do porquê de eu ter participado? Tem um pouco a ver néé 🙂

    Muito bom mesmo.. parabéns \o

    ps: outra coincidência, sábado mesmo olhei um filme sobre Medusa o0 medo

    Curtir

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