Troque de carro

“Tem que ser, seguir em frente! Deixa isso pra lá. Outros virão. Isso é fato! Eu entendo o teu sentimento, gostar e odiar ao mesmo tempo!! Mas passa.. O meu não passou ainda, mas é o que digo pra mim mesma todos os dias: ISSO PASSA!”

– Mari G, 17 anos

Sabe, Dona, é engraçado como as coisas funcionam, a senhora não acha? A gente aqui, nesse ponto de ônibus, esperando fielmente pelo ônibus que nos leve ao nosso destino desejado, mas e se ele se atrasar? E se ele não puder nos levar aonde queremos ir, só até um pedaço? E se ele não vier? Entende o que eu quero dizer?

Eu tô me referindo ao amor, Dona. Foi só uma analogia. Se pensarmos bem, nada traduz melhor os relacionamentos do que a relação passageiro-ônibus. Espera, deixa eu explicar melhor.

A senhora, por exemplo, é o passageiro; o ônibus é o amor e o motorista é a pessoa com quem você se relaciona. Você-passageiro fica lá na estação, no ponto do ônibus ou aonde quer que seja esperando pela locomoção, pelo amor, que a leve até um determinado lugar. Mas isso não depende só da senhora e é aí que o motorista entra. O motorista, ou a pessoa com quem você se relaciona, tem nas mãos a parte mais importante do relacionamento: ele diz até onde pode ir.

O motorista não pode levar o passageiro até um lugar que ele não queira ou não possa ir e o passageiro não pode simplesmente pegar o ônibus do motorista e seguir em frente. Ou seja, se a outra pessoa não quiser ou não puder ir ao mesmo destino que a senhora queira, ela não irá; e você não pode pegar o amor dessa pessoa e ir embora. Entende, Dona?

Quando embarcamos nesse ônibus do amor, devemos estar cientes que quem nos leva é o amor da outra pessoa. O nosso amor, os sentimentos que nós temos e nutrimos pela outra pessoa, é o combustível que move esse automóvel. Quando a outra pessoa troca de carro e o nosso combustível já não é o suficiente, devemos parar de tentar e simplesmente aceitar que não deu certo. Desgastar-se e gastar o seu combustível, o seu amor, com o veículo ou com a pessoa errada não é a melhor maneira de se aproveitar a vida. Basta aceitar, seguir em frente e esperar pelo próximo ônibus.

E foi assim com o meu último relacionamento. No ínicio, eu tinha certeza que aquele ônibus ia exatamento para o lugar que eu queria, pois as paradas eram as mesmas e o veículo nunca tinha enguiçado ou morrido, mas no fim, as coisas meio que se complicaram, se esfriaram, se odiaram. Ele havia comprado outro carro, se é que a senhora me entende, mas foi passando.

Eu achei que seria mais difícil, sabe, esquecê-lo e seguir em frente. E não foi, porque chorar, me lamentar, sentir meu coração apertar de dor cada vez que eu pensava nele e, constantemente, olhar pra trás pensando no que poderia ter sido, ficou repetitivo demais, enjoativo demais, exaustativo demais. E olhar para frente me pareceu algo muito mais promissor.

Sim, Dona, a senhora tem razão, às vezes nós somos os motoristas também, mas essa conversa vai ter que ficar pra outro dia, porque o meu ônibus tá vindo.

Oi, amor! Vamos?

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2 comentários sobre “Troque de carro

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