Canalhas à parte…

À voz nostálgica e hipnotizante de Paula Toller

Segundo Fabrício Carpinejar, quando uma mulher entoa o termo CANALHA, ela sabe que o homem não presta, mas tem uma esperança que ele ainda mude. O motivo disto é porque o CANALHA deixa claro que não vale nada, ele é “sincero” e essa “sinceridade” é o que cativa a mulher. “Ah, ele não presta, mas ele é sincero. Quem sabe há uma chance”, é o que as mulheres pensam. Então mesmo quando dito no calor do momento, na raiva, enquanto ela o manda embora, ela o ama e na realidade não quer que ele se vá, mesmo ele sendo um CANALHA!

Quantas vezes eu já pensei nisso, nessa palavra, na pessoa que essa palavra me lembra? Quantas vezes eu falei as coisas na hora da raiva quando internamente não era nada disso que eu queria? Quantas vezes eu já fingi indiferença quanto eu queria me jogar nos braços de alguém?

Eu não falo mais CANALHA. Não penso mais CANALHA. “Já não quero mais ser posse” de quem não pode, de quem não me sacode, de quem não arrisca um bigode, de quem não tolera um eventual pagode. Tô cansada de ser presa ou reprimida e agora me sinto livre daquelas antigas amarras, afinal “liberdade é do que gosto”.

L.I.B.E.R.D.A.D.E.!

Soa bonito, não? E é só isso que peço. Liberdade pra ser feliz. Liberdade para amar quem me ama. Liberdade para dirigir a 100km/h com todas as janelas abaixadas e o vento nos cabelos, nos cílios, no soutien, enquanto fito o horizonte ao ir para a praia. Liberdade para descer os morros de São Francisco de patinete. Liberdade para caminhar por Nova Iorque à noite. Liberdade para surfar na Áustrália. Liberdade para visitar os cenários bucólicos e apaixonantes de Londres. Liberdade para tomar uma Vodka forte na Rússia. Liberdade para passear pelo mundo. Liberdade para trabalhar de pijamas. Liberdade para comer pizza no café da manhã e sucrilhos na janta. Liberdade para cantar e dançar no meio da rua. Liberdade para dormir o dia inteiro. Liberdade para tomar banho de chuva. Liberdade de ti.

“Mas e agora?”, você se pergunta. Agora?

Agora eu respiro. Agora eu sou eu novemente. Agora eu vivo. Agora eu volto a sonhar. “Por onde começo e onde vou parar” eu não sei, mas eu sigo o meu caminho. Sem olhar para trás com tristeza. Crescer. É isso. Agora eu cresci um pouco mais e tenho muito mais a crescer.

Pois então, “façamos um brinde”. Crescimento é algo digno de ser comemorado. Então TODAS nós ou TODOS nós que já tivemos alguém para gritar CANALHA! com todo o ar que tínhamos nos pulmões, brindemos à LIBERDADE. Brindemos ao futuro. Brindemos ao time que saiu da segunda divisão. Brindemos à celebridade maluca que saiu da prisão. Brindemos ao que quisermos brindar, mas comemoremos o nosso objeto de paixão!

E é “na imensidão da manhã”, onde corpos desejosos de amor se aninham nos braços uns dos outros antes de o alarme soar para se desprenderem daquele momento momentâneamente duradouro, que eu me despeço.

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2 comentários sobre “Canalhas à parte…

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