Em qualquer lugar

A única que eu consigo me lembrar daquele dia.

É assim. Tem sido sempre assim. Eu não procuro pelo amor (ou algo parecido), ele é quem me encontra. Não importa a idade ou lugar. Pode ser no metrô, no ônibus, na empresa ou na faculdade; pode ser depois de consolar um amigo ou num balcão de bar, numa festa, num jogo de vôlei ou num final de semana qualquer, ele é quem me encontra.

Conheci esse carinha num almoço de aniversário. A festa mesmo tinha sido no dia anterior, então pro almoço só estavam os resquicios humanos do que prometeu ser uma festa e tanto. Foi um almoço daqueles pequenos, entre amigos, que tu vais meia-boca, porque não esperas nada de mais, romanticamente falando.

O ambiente era até propício para o amor (novamente, ou algo parecido): uma chácara meio afastada, bastante verde, alguns poucos colegas da faculdade, algumas poucas amigas, galeto, muita bebida, duas redes estendidas na grama, sol e uma piscina. As amigas da minha amiga pareciam querer comer minhas amigas e eu vivas. Os rapazes eram legais, bonitos, descontraídos, divertidos, meio doidos, mas engraçados. Ainda assim, as expectativas não eram muito altas.

Num desabafo com a minha amiga eu digo: “Nenhum Daniel presta”. O Daniel ao lado dela me olha e diz:

– Isso é porque tu conheceu o Daniel errado.

Jogamos conversa fora nos bancos de churrasco. Depois do almoço, todos se amontoaram nas redes ou em cadeiras ao redor do amontoamento nas redes e outros . Ficamos lá, largateando por um tempo, jogando conversa fora. Uns de beijinhos, outros dormindo, alguns comendo mosca (não literalmente), outros reclamando da música. Até sugestões para subirmos o morro ou capinarmos para sair da rotina.

– Quem quer ir pra piscina?, grita a minha amiga.

Nós duas estramos. Depois veio uma das amigas e depois alguns dos garotos. A amiga, numa tentativa desesperada de chamar a atenção e de se mostrar, tentava afogar o Daniel e eu, de canto, rindo com os guris. Depois de inúmeras tentativas, ela desiste e sai da piscina. Não tinha muito sol, então eu estava abraçada em mim mesma e com muito frio.

– Quem sabe tu não tenta me afogar. Vai te ajudar a te esquentar!, disse Daniel. Fui na brincadeira, ele deixou fácil. Nada demais.

Depois de perder três corridas na piscina, uma competiçãozinha de quem fica mais tempo embaixo d’água, no jogo do dedo, etc, ele ainda teve coragem de ficar comigo.

Desculpe, mas ficar fazendo-me de fraca não é comigo. “What you see is what you get”, não é isso que dizem? Tem que gostar de mim pelo que eu sou: uma mulher forte, decidida e competitiva que eu sou. Claro que não é só isso, há outras qualidades. Uns dizem que sou engraçada, espirituosa, uma ótima ouvinte e amiga. Outros se arriscam dizer que sou bonita, mas a competitividade faz parte do pacote, tá empregnada nesse corpo.

Esse encontro foi legal, foi diferente, foi inesperado, foi inusitado, foi improvável, foi acidental, foi intenso, foi do calor da hora. E foi bom enquanto durou. E foi assim com ele. Ele me encontrou ou eu o encontrei, não sei, mas nos encontramos.

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