Situação II

Dois dias depois. Quinta à tarde!

Ela, no telefone. Ele senta e espera.

– Queres falar comigo? – ela mexe os lábios enquanto ouve a amiga pelo telefone

Sim.

Ela não faz questão de desligar. Continua no telefone mais uns 5 minutos.

– Tá com pressa? – mexendo os lábios novamente.

Mais ou menos.

Continua mais uns 5 minutos.

– Desculpa, amiga, vou ter que desligar. Te ligo depois, ok? Beijos. Em que posso ajudá-lo?

Não curti a frase que tu deixou pra mim no MSN.

(“Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te. ” Nietzsche)

– Ah, aquilo? Foi mais pra rir do que outra coisa.

Mesmo assim. Tu não confias mais em mim?

– Não sei responder. É tudo muito recente. E eu não quero mais conversar sobre isso. As coisas só vão piorar.

Eu não quero que as coisas fiquem mal resolvidas.

– Eu sei. Mas como eu disse, é tudo muito recente.

Silêncio.

– E essas expressões de descontentamento com o que eu digo não ajuda.

[indignado] Não é descontentamento. Tu tá imaginando coisa, tentando me ler. É impaciência quando tu não me diz tudo o que tu pensa. Tu reconhece isso desde o início.

– Viu o porquê de eu não querer conversar. Essas brigas, insultos, ressentimentos.

Silêncio.

– Mesmo assim. Não acho que tu devas perder a confiança em mim ou que a tua opinião sobre mim mude só por causa do que aconteceu?

– SÓ por causa do que aconteceu. Bacana.

– Não foi isso o que quis dizer. Tu achas que foi fácil?

Tu poderias ter chego e me puxado num canto e falado numa boa. Tipo: “Bah, saí com os guris nessa sexta e acabou rolando. Fiquei com uma outra guria. Não foi nada planejado desculpa”. Mesmo que a gente não seja “sério”, seria melhor do que a maneira que foi.

Ah é, tu também não irias conseguir dizer!

– Então tá.

Eu não sabia como te falar. Tu acha que foi fácil pra mim? Isso nunca tinha acontecido antes.

– Bah, valeu.

– O quê?

– Nada, tava pensando na minha sorte. De ser a primeira.

Silêncio.

– Eu tenho que ir. Minha aluna chegou.

É, eu tenho que ir também.

– Sabe o que é o pior.

O quê?

– Eu continuo gostando de ti?

É. Eu sei.

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