“Somos amigos, não somos?”

Peraí, como é que é? Repete, por obséquio. Amigos? Tá, cadê as câmeras? Pra quê as câmeras? É porque essa pergunta só pode ser uma brincadeira daquelas com câmera escondida. Ah, não é brincadeira, tu falaste sério e espera por uma resposta. Bem, vamos analisar a nossa situação então. Acho que verás que a resposta é bem simples.

Eu me doei, me joguei, me abri, me declarei. Te procurei, te amei, te aceitei e te permiti. Doei meu coração, te contei tudo que se passava dentro e fora de mim, disse o quanto eu gostava de ti e o meu medo de te perder, te mandava mensagens e afins sempre esperando que tu lembrasses de mim por mais um tempo e não quisesses ninguém mais. Mas o que me levava a pensar assim, amigo?

Lembra daquela vez que tu, passando os teus dedos longos suavemente na minha mão, disseste que a nossa situação era até bem boa, porque quando tu tivesses uma idade que tu consideravas própria para casar, eu estaria com a idade que eu achava própria pra me casar?  Quem sabe tu lembres daquela vez, na formatura do meu pai, em que sentiste ciúmes de um amigo muito antigo (de idade e de tempo que nos conhecemos) da família, só porque eu estava conversando bastante com ele. [Detalhe: ele tinha 30 e poucos anos, careca (nada contra os carecas) e com mulher e filho]. Lembra disso, amigo?

E daquela vez que eu disse que eu não queria te perder naquele momento e tu ficou fazendo charminho e perguntando, ofendido, se eu queria te perder em algum outro momento, lembra, amigo? E eu te disse que é claro que não queria. E acrescentei um NUNCA, como se nunca fosse algo válido nessa paixão tresloucada, suportada apenas pela minha utopia amorosa de que talvez eu pudesse atravessar os espinhos que rodeavam o teu coração e abrir os teus olhos mais uma vez para o amor. E aí, amigo, suficiente?

Achei que o pensamento sobre casamento talvez existisse de verdade, que o ciúme fosse real e que tu talvez não quisesses me perder também. Eu, ingênua e tola, esperava que eu fosse o suficiente pra ti.

Não, “eu te disse que eu não queria nada sério” não cola mais, porque tu agias como se quisesses. E por mais que tu não quisesses, integralmente, ser só meu, tu demonstravas que eras e sustentavas o meu sentimento por ti. Eu não sou uma criança de 18 anos, sou uma mulher de 18 anos. E se tu não tivesses sido tão “ladies’s man, man’s man, man about town”, como o tal Catcher Block em Abaixo o Amor, tu terias percebido isso.

Mas não, o homem que eu admirava e enaltecia, que sempre falava “por favor, seja direta, não gosto de ficar adivinhando o que os outros pensam” ou “eu gosto de honestidade, mesmo que isso doa” não pode ser homem de verdade. Agora, eu sinto pena dessas tuas atitudes esdrúxulas, dessa tua honestidade forçada, desse ser patético em que te transformaste, mas mesmo assim obrigada. Agora vai ser bem mais fácil te esquecer.

Acho que a verdade sobre as pessoas sempre acaba sendo revelada, não é? Tu não és nada diferente daquele outro rapaz que me procurava, lembra dele? Logo antes de darmos início a essa tragédia épica. Tu dizias que ele não era muito confiável, que eu, provavelmente, não era a única que ele estava cortejando e que ele só queria uma coisa das meninas. Lembra dele, amigo?

Tu te pintaste de bonzinho, interessado, declarando o início de uma paixão. Admito que me enganaste bem. Representaste bem o teu papel, mas as cortinas já fecharam, viu amigo, e sem que tu percebesse, a tua máscara caiu no meio do espetáculo.

Eu já te disse, é mais fácil para algumas pessoas do que para outras. Então vai. Vai e te esquenta nos braços delas, daquelas garotas que tu dizia não valer nada, festeiras e, desculpem o termo, xuranhas.  Segue em frente e vive a tua vida que eu também vou viver a minha.

Por mais que eu queira te xingar, te encher de desaforo, eu não vou. Não vou descer a esse nível, porque por mais que eu esteja dividida, ofendida, decepcionada e com raiva, eu não pretendo protagonizar uma daquelas cenas tipo Norminha e Abel da novela das 8h.

E eu vou seguir escrevendo e publicando coisas que eu escrevi pra ti, porque pelo menos isso eu sei que é real. Não se engane, entretanto, porque elas foram escritas num tempo que eu ainda tinha qualquer motivo pra sentir respeito por ti. Desculpe a apropriação daquela velha piada, mas o Respeito morreu.

Daí tu me perguntas “Somos amigos, não somos?”

Não, querido amigo, não somos amigos.

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