A Revolta do Corpo

Doce som de Marcelo Camelo.

Tudo anda tão… estranho. É, acho que estranho é a palavra certa.  Os dias são estranhos, as pessoas são estranhas e tenho a leve impressão que meu corpo está tramando algo contra mim.

Meu sistema nervoso, por algum motivo, resolveu operar por si próprio. Ele comanda meus músculos, meus órgãos, meus nervos, minha respiração, minha pressão arterial, minha temperatura e meu batimento cardíaco sem me consultar antes.

Difícil de entender? Vou dar um exemplo. Toda vez que te vejo meus músculos se contraem, meus órgãos não sabem como operar, meus nervos trabalham especialmente por ti, fica difícil respirar, minha pressão baixa, minha temperatura sobe e meu batimento cardíaco acelera. Tudo dentro de mim, mas sem mim! Entendeu?

Com esse impasse, resolvi dar um tempo pra ele. Você pensa: “Ele? Ele quem”. Calma, eu explico. Dei um tempo pro meu corpo. É, isso o que você ouviu. Deixei ele assimilar as coisas, digerir a notícia. Na realidade, dei um tempo para ele se acostumar com ideia. Não há muito que eu possa fazer. Tive uma DR  comigo mesma. Conversei, debati, expliquei.

Insisti para os meu braços pararem de ficar abertos pra ti. Supliquei para os meus olhos não fecharem mais por ti, não olharem mais pra ti, não sorrirem pedindo por ti. Disse para as minhas lágrimas pararem de cair. Falei para minha mente deletar as nossas lembranças das pastas “Dias Felizes”, “Planos Para O Futuro” e “Mr. Right”. Além, é claro, de deletar os backups feitos e enviados para três contas de e-mail, só para me certificar que eu não esqueceria de nada, nenhum pedacinho de “nós”. Pedi para os meus pés esquecerem caminhos já traçados que me levavam ou ainda me levam até ti.

Depois dessa DR, descobri quem está por trás dessa trama: meu coração. Aquele traidor ordinário. Eu esperava isso da pele que, por ser um dos órgãos mais influenciáveis do corpo, tem essa propensão de rebelar-se. Esperava até mesmo dos dendritos que ficam lá, só esperando os estimulos nervosos dos “outros”, não agem sozinhos. Esperava isso de qualquer um, menos dele.

Acho que meu coração está brabo comigo. Brabo por eu o ter entregue novamente a quem não o merecia. Brabo por eu ter esquecido como ele é apegado às pessoas e por não ter pensado em como ele se sentiria caso tudo acabasse. É, ele está bravo. E me castiga, fazendo com que tudo em mim me lembre de ti.

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