Meu vício.

John Mayer me entende!

Tu foste como uma droga. Comecei aos poucos, dizendo para mim mesma que eu conseguiria te largar a qualquer hora. Quando EU bem entendesse. E eu tentei largar. Perdi as contas de quantas vezes eu disse: “Agora chega”, “Não vou mais” ou “Essa vez foi a última”. Mas já era tarde demais. Eu não era tão forte quanto pensei que fosse.

Comecei a vender meus pertences para sustentar meu vício, para usufruir mais de ti. Comecei com meus pensamentos, minhas vontades, meus abraços. Vi que o sentimento era bom. Efeitos? Nada demais. Naquela época eu ainda tinha consciência do que eu estava fazendo. Eu vivia de bom humor, sorrindo por nada, meio bobalhona, sabe?

Como o uso começou a ser mais frequente, precisei abrir mão de coisas mais importantes, como minha boca, minhas lágrimas, meu tempo, minha atenção. Foi quando minha família começou a ficar preocupada. Eu já não conseguia estudar direito e estava sempre distraída. Não conseguia distinguir a realidade da ilusão, o certo do errado, mas o sentimento ilusório de satisfação era tão bom, que eu resolvi ignorar esses efeitos colaterais.

Mesmo tendo dado tantas coisas, o efeito já não era o mesmo. Eu precisava de cada vez mais. Dei, então, o meu bem mais valioso: meu coração. Consequentemente, minha razão, meu corpo e meu ser já não me pertenciam. Entreguei tudo o que eu tinha de mais importante para que eu pudesse ter o que eu considerava ser mais importante. Eu não me importava comigo. O propósito era fazer de tudo para que eu pudesse sentir mais um pouco aquele bem estar momentâneo.

Forçada a uma reabilitação, percebi que quem estava se sacrificando, se doando, se entregando e se perdendo era eu. Eu achava que tu eras a saída mais fácil dos meus problemas e que contigo eu terias paz, quando eu só estava me enganado.

Não posso dizer que passo bem, pois a reabilitação é recente. Meu apetite aumentou e não tenho conseguido dormir por causa da abstinência. Sei da condição deplorável em que me encontro, mas como uma verdadeira viciada, não consido parar de querer mais. Tu continuas sendo minha droga preferida, mesmo sabendo o quanto és prejudicial para mim.

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2 comentários sobre “Meu vício.

    • claudiadarosa disse:

      Obrigada, Má!
      É mais “fácil” quando os sentimentos são mais fortes.

      E eu que sou tua fã!
      Muito obrigada mesmo!

      Curtir

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