estranhetudes e noite fria!
29 mar 2011 Deixe um comentário
“ I wanted to tell you I’ve changed “
Não me olha assim, vai. As coisas já estão difíceis do jeito que estão. Eu, estranha, rindo pra não chorar, evitando a conversa que tu queres ter; tu, cabisbaixo por eu estar estranha, sentado ao meu lado no sofá, contanto coisas aleatórias por eu não querer conversar sobre o que tu queres. Tento, mas não consigo evitar. Tenho me sentido meio fora da área de cobertura ou desligada. Em alguma estrada desconhecida, parei de receber o sinal que me conectava com o mundo. Acabou a gasolina e eu estou estacionada sozinha nessa encruzilhada sem saber se sigo pro norte, sul, leste ou oeste. Sem falar no noroeste, nordeste, sudoeste e sudeste. Tá vendo o meu dilema? Escolhas! Sempre fui péssima em fazer escolhas, principalmente em escolher as coisas boas.
Mas a história se repete continuamente. Fígado ou chocolate? Quero fígado. Morango ou grilo frito? Grilo com bastante ketchup, por favor. Mente ou coração? Que se dane a razão. Me vê uma porção grande de sentimento e confusão, Jorge!
Eu queria te dizer que eu mudei. Eu queria te dizer que as coisas serão diferentes dessa vez, mas e se eu não conseguir? Às vezes, eu acho que não nasci pra essa coisa de amor. E se eu for daquele tipo de garota que se apega quando o cara não tá nem aí, mas quando ele se apaxiona, ela larga fora? E se eu nunca conseguir retribuir tudo que tu me dás? E se cada vez que um relacionamento meu começar a ficar sério, eu quiser dar as costas pra ele?
A culpa não é tua. De verdade. Sou eu. Parece aquela desculpa esfarrapada que a gente dá quando não quer mais um namorado, mas dessa vez é de verdade. Eu sou o problema e não tu. O mais doido é que eu gosto tanto de ti. E gosto tanto que arrisco dizer que te amo.
Eu te amei quando tu choraste na minha frente pela primeira vez. Te amei quando pegaste na minha mão só pra mostrar pra todo mundo que era tu quem me fazias feliz. Eu te amei quando me “ajudaste” – parado – a lavar a louça enquanto eu cantarolava Kid Abelha e toda vez que me olhavas com teus olhos verdes sorridentes. Eu te amei com cada abraço, com cada careta, com cada sorriso e com cada bobagem. Eu te amei quando nos despedimos e cada um tomou seu rumo, mas ao olhar para trás, vi que tu também me olhavas. Eu amei as tuas inseguranças, os teus medos, os teus defeitos. Te amei por causa da tua certeza, da tua decisão e das tuas qualidades. Amei cada fio de cabelo, cada pinta, cada espinha, cada marca, cada cicatriz, cada lágrima, cada esforço.
Eu tenho o teu cheiro impregnado em cada milímetro cúbico de pele do meu corpo, tuas lembranças marcadas a ferro em cada cantinho da minha memória e eu ainda sinto cada toque, carícia e apertão da última vez que nos vimos. Eu sei que tu sabes que eu finjo não saber que eu sinto a tua falta. A saudade aperta meu peito só quando eu respiro, então por que essa estranhetude?
Não sei. Viu, eu disse que não era tu. Sou eu!
protesto contra o amor
25 mar 2011 1 Comentário
Cheguei em casa tarde esses dias. Fui dar uma volta pelo quarteirão só pra ver se eu achava aquilo que eu não fazia ideia do que fosse. Precisava respirar um pouco, tirar aqueles sentimentos inomináveis de dentro de mim. Precisava de algo que me fizesse acordar desse sonho bizarro que eu chamo de VIDA. O ar pesado da noite fria só me deixou mais bucólica, mais inglesa, com mais vontade de caminhar pela noite sem fim, então o quarteirão se tornou em cidade enquanto em seguia indo exatamente pra lugar nenhum. Com as mãos no bolso e a cabeça erguida, conseguia ver minha respiração se transformar em uma fumaça densa por causa do frio. As luzes dos carros passavam rapidamente por mim, cegando-me momentaneamente. Sentei no cordão da calçada, impaciente e inquieta, na posição de buda.
O problema era tu. Tu que não te decides, tu que não me amas do jeito que deverias, tu que me amas do jeito que gosto, tu que acordas no meio da noite e vai embora, tu que decides ficar pra sempre. Tu és o que eu procurava no meio da noite, porque o cordão da calçada no qual eu sentei dá de frente pra tua janela que fica do outro lado da rua. Tu devias estar dormindo, numa festa, com outra garota ou na frente da minha casa, porque eu nunca sei com qual humor eu vou te encontrar. Não sei se amanhã, tu vais estar com uma vontade louca de me ver ou se vais sumir por uma semana ou duas. É tudo difícil pra ti ou nada é bom o suficiente. Eu até já me acostumei com as tuas esquisitices, com as tuas manhas, com a tua bipolaridade. Do que mais tu precisas pra perceber que eu sou exatamente o que tu também procuras?
Um dia, tu vais acordar e vais perceber o que tu tens nas mãos, mas e se eu já tiver desistido e partido pra outra? E se quando tu me procurares, eu estiver com outro? E se não conseguir ficar braba contigo por gostar demais de ti já tiver enchido o saco? E se ficar acordada noites a fio por não conseguir esquecer o teu sorriso encantador já estiver ultrapassado? Diz pra mim, o que tu vais fazer? Diz pra mim quem é parecida comigo? Fala pra mim quem vai te aturar por quem tu és, quem vai apoiar as tuas loucuras, quem vai suportar a tua indecisão?
Ninguém. Ninguém tem a paciência que eu tenho. É por isso que eu esperei por tanto tempo, mas essa história tá ficando velha e mesmo adorando o furinho da tua orelha onde ficava o teu brinco, eu não tenho mais paciência. Tô desistindo. Eu sei que eu já disse isso milhares de vezes antes, mas agora é sério. Tô abrindo mão de amar. Esse amor que todos parecem estar atrás me irritou. Vou tentar ser feliz sozinha pela primeira vez na vida. Aí todos gritam: MAL AMADA. Mas não é isso.
Mubarak acaba de renunciar a presidência do Egito e eu aqui ainda, paralisada pela impotência ou involuntariedade do meu coração de te largar de mão. Eu preciso tentar achar o eu que me resta, porque eu dei tanto de mim pra ti que ando sem identidade.
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. às vezes .
24 mar 2011 Deixe um comentário
Às vezes, tenho medo de te sufocar com tanto eu. É que eu só quero tu. Tipo, tu e eu junto sempre!
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