Freedom At Last

Poem Space

Achei nas notas do meu celular, coisas perdidas com o tempo. Achei válido.

Com vocês, Freedom At Last!

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Shovel in hand, land on the ground

A marked place where I should dig

Crispy rain, thick fog all around

A tall man looking down at me

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“This ain’t a dream”, the tall man said

Reading my thoughts and easing my doubts

“You need to dig this grave for me

Only after this you’ll be able to get out”

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His pale skin glittered under the moonlight

He had no expression on his face

Before I opened my mouth to complain

With a blink of an eye he faded away

-

With crampy hands I was finally done

All the six feet for his new bed

When I looked at the tombstone

It wasn’t his but my name that it read

-

Then I understood what he meant before

The tall man looking at me was Death

Life for me would be no more

The freedom I’d get was my last breath

Mondo Bongo

Xeque-mate, baby!

A porta do pequeno restaurante se abriu. Os sinos alertaram todos de sua entrada.  O homem alto apontou com a cabeça a porta azul na parte de trás do estabelecimento. A mulher de vestido preto começou a caminhar.

A tensão era quase palpável. Eles não trocavam palavras, não que fossem necessárias, mas caminhavam lentamente passando por entre as mesas de toalhas xadrez verde e vermelha, um de cada lado. Os crisântemos nos longos e finos vazos de vidro em cima das mesas pareciam olhar para aqueles dois estranhos que se dirigiam aos fundos do restaurante, onde havia uma pequena área na qual a banda se havia instalado à esquerda embaixo de uma árvore.

O soar do tambor, do violino, do acordeon, a voz baixa do cantor, tudo funcionava em perfeita sincronia com as passadas calculadas de cada um daqueles dois indivíduos que se aproximavam vagarosamente, atraindo alguns olhares suspeitos.  O barulho dos talheres nos pratos, a fumaça dos cigarros e os burburinhos dos cochichos ficaram para trás ao passarem pela larga porta azul que guardava o pequeno espaço perdido entre as arvores.

O homem alto adiantou alguns passou, virou-se para a mulher de vestido preto e estendeu a mão. Ela parou, analisou o cenário e ficou imóvel por alguns segundos, olhado a mão que lhe era estendida. Hesitante, ela levou sua mão em direção à mão do homem alto à sua frente. Ela encarou seus cabelos castanho-claro que refletiam o amarelo das luzes e o vermelho do véu quase transparente que revestia o pequeno toldo sobre suas cabeças. “Será que ele sempre foi assim? Tão reluzente?”, ela pensou.

A banda tocava cada vez mais alto aquele balanço, aquela melodia, aquele Mondo Bongo. O pequeno restaurante, com suas luzes vermelhas e amarelas, desapareceu e só havia dois corpos que se balançavam descordenadamente em sintonia de um lado par ao outro, hipnotizados pelo som despertador daquela melodia nada ignorável.

Ele a girava pelo pequeno espaço ladrilhado no centro do pátio enquanto ela se deixava guiar de olhos fechados. O perfume da mulher de preto penetrava-lhe os sentidos, fazendo com que fosse difícil para ele se concentrar, e dificultando sua respiração. Ele firmou mais a sua mão nas costas da moça. Ela abriu os olhos surpresa. Agora, eles dançavam sem tirar os olhos um do outro.

A atração era incontrolável como um imã de dois polos diferentes que se atraem ao invés de se repelirem. Sem deixar de dançar, o homem alto alternava suas mãos ao acariciar as costas e o rosto da mulher de preto. O fazia com o carinho e a urgência de alguém que luta para se salvar, como se sua vida dependesse daquele momento. Ela, sentido-se como se alguém tivesse acendido uma fogueira dentro de seu peito, acariciava-lhe os cabelos, olhando-o com ternura e um ar de dor nos olhos.

O homem alto abraçou-a, buscando confortar-lhe do que parecia lhe incomodar. A mulher de preto pôs-se nos pés deles como uma criança e se deixou ser envolvida por seus braços. Uma mistura de sensações corria-lhe a mente, o peito e o corpo. Divida entre fazer o que queria e o que deveria. Queria não pensar, não escolher, não decidir – era o que me parecia. Ele continuava embalando-a de um lado para o outro.

Ela desce dos pés do homem alto e se desvencilha de seu abraço. Ele, com a cabeça inclinada um pouco para a esquerda, a olhava confuso. Ela encarava  o ladrilho novo do chão gasto. Ele tenta se aproximar, mas ela dá um passo para trás pondo a mão no seu peito para parar-lhe o movimento. Os integrantes da banda se olham e começam a tocar o Mondo Bongo mais suavemente.

Não sei se devo deixá-los a sós para conversarem ou se fico por mais tempo para ver onde essa história termina. Gostaria de poder ler seus pensamentos e saber de sua história, mas talvez isso estragasse esse momento. A paixão, a proibição, o desejo, a confusão e, acima de tudo, o mistério que eles representam é o que deixa tudo mais saboroso. Os dois, agora parados, apenas se olham e ele segura a mão dela, que ainda está em seu peito.

Levanto-me de minha mesa e eles parecem nem perceber. Enquanto passo pela larga porta azul, eles permanece imóveis ao fundo. Todos no restaurante continuavam com suas conversas, tragos e tragadas sem se deixar incomodar por aquela cena no lado de fora.

Ao passar pelas mesas de toalhas xadrez verde e vermelha e pelos crisântemos, sinto a música desaparecer aos poucos. Uma última espiada. Os dois continuam parados. Juro que posso ver o rosto da mulher de preto cintilar. Talvez sejam lágrimas, mas não sei ao certo, pois a distância agora é grande demais para concluir qualquer coisa. A porta do restaurante se fecha atrás de mim. Acabou o Mondo Bongo!

Tuítes do Gabito

Quem nunca ouvi falar de Gabito Nunes, apresento-lhes seu blógue: Caras Como Eu. O cara é um mestre. Escreve com uma propriedade e um conhecimento que são de dar inveja a qualquer mero mortal que pensa conhecer algo sobre amor e relacionamentos.

Em 2009, fiz uma pequena seleção de alguns tuítes deste moço tão talentoso e deixei aqui nos rascunhos do blógue. Fazendo uma pequena faxina, resolvi compartilhar.

Aproveitem ;)

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“Eu morreria por você. Não faria diferença alguma, igual eu morro todo minuto um pouquinho sem você por perto.” 20-10-09

“Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você, só enquanto eu respirar”, diz minha camiseta nova d’O Teatro Mágico. 18-10-09

Eu diria que se entregar é um dom das mulheres. Que faz nós homens nos sentirmos menor que somos aparentemente. 17-10-09

Não é medo de amar, é de ser mandado embora. Assim como não é medo de altura, é de se esborrachar no chão. 14-10-09

Vem cá, que tá me dando uma vontade de não sei o quê, mas sei que tem a ver contigo. 14-10-09

Muito Mais

Você é

mais

que um rostinho bonito,

mais do que palavras ditas sem nenhum valor

voce faz tudo ser

real

pausa para respirar

Chega! Cansei! Caramba!

Cada vez que eu recebo um e-mail teu com o assunto “Rápido”, eu sei que é mentira, porque eu vou ficar horas lendo, relendo, pensando, repensando, escrevendo, apagando, reescrevendo, analisando, apagando, modificando e enviando o que tinha escrito no início e isso tudo me deixa sem fôlego. Eu fico sem fôlego, porque quando eu tô contigo ou quando eu penso em ti, quando tu me ligas, quando eu leio um e-mail teu, quando tu me mandas uma mensagem, quando tu pegas na minha mão, quando tu me olhas, quando tu me apertas, eu esqueço de respirar. Eu fico hipnotizada com a tua simplicidade, os teus olhos brilhantes, o teu sorriso largo, a tua risada engraçada, o teu andar desajeitado, os teus braços longos, o teu cabelo curto, a tua barba por fazer, os teus jeans azuis, o teu tênis velho e eu esqueço de respirar.

Tá tudo… difícil demais… pra mim. Viu, tô sem folego de novo. Peraí, deixa eu respirar. Do que eu tava falando mesmo? Ah, sim, que tá difícil. Não me olhas desse jeito que eu não sei explicar. Acho que eu sou assim mesmo, quando algo engrossa, eu pulo fora. Sou campeã de desistir, só que eu escondo os troféus pra que tu não vejas e continues pensando que eu sou aquela “guria lá” bonitinha, queridinha, batalhadorazinha e que “conquistou um monte de coisa na vida”. Só tu mesmo pra me veres dessa maneira e pensares algo desse tipo. Eu nem me sinto tanto como uma “desistidora” quando eu te vejo todo bobo do meu lado fingindo que não me quer. Daí eu lembro de respirar.

E enquanto eu tô ali, respirando direitinho sem fazer movimentos bruscos, bolando um plano pra fugir dali e voltar a respirar normalmente, tu me olhas com aquela cara de “tá tudo bem agora” e me mata de rir. Quando eu crio motivos idiotas para dizer que eu sou uma má influência, tu me paparicas e dizes coisas lindas pra eu gostar mais de ti e esconder mais ainda os meus troféus e ter mais dificuldade pra respirar. E quando, no meu pior momento, eu penso em te largar de vez, tomar o caminho mais fácil e seguir em frente, tu pegas a minha mão e me lembras o porquê da gente ter decidido ficar junto.

Mas eu não gosto de ficar sem respirar e ficar toda ofegante o tempo todo, por isso que eu penso em desistir. Daí, eu coloco na cabeça que eu vou te esquecer, que vai ser o melhor pra nós dois e que tu mereces alguém bem melhor que eu, porque eu não tenho coragem de te mostrar os meus troféus de insegura e patética e “desistidora” e ninguém merece viver uma mentira, ainda que omitido e não mentida – se é que tem diferença.

E quando eu estou prestes a te abandonar pra sempre, eu vejo nos teus olhos que eu sou tão parecida contigo e tu és tão parecido comigo. Se não for eu, quem vai querer fazer contigo todas as loucuras que a gente combina – tipo subir no telhado? E se não for tu, quem vai fazer comigo todas as palhaçadas que a gente combina – tipo deixar o quarto beeeem frio no verão só pra poder dormir pertinho? A gente combina tanto. Por que não daria certo? E daí se esqueço de respirar? E daí se os signos dizem que não há como funcionar? Eu nem acredito muito nessas coisas.

Eu te vejo acreditando em nós e eu também quero acreditar. Eu não quero mais desistir quando ficar difícil. Eu não quero mais esconder meus troféus. Eu não quero mais me esconder atrás de frases bonitas, textos apaixonados e músicas românticas. Eu quero criar frases novas, textos novos e músicas novas. Eu quero acreditar no que a determinação de duas pessoas para algo em comum pode fazer, mesmo que de vez em quando uma dessas pessoas fique ofegante de amor.

Pausa para eu poder respirar.

um pouco de solidão

Mais uma noite, somos eu e meu computador. Mais uma noite em que tu não estás. É tarde, escuro e frio lá fora e eu fico dentro de casa pensando no teu aconchego e no teu calor. Forço-me a escrever quaisquer linhas, porque o fardo do silêncio já não me machuca como uma picada de mosquito, mas como uma espada que corta os meus tecidos, penetrando fundo e lentamente a carne, as veias e os órgãos.

Cada dia é tortura. A distância me muda, me piora, me enlouquece. Cada sorriso e cada momento parecem incompletos. Ah, a amargura de amar. Eu me envolvo com o cobertor que tu usaste da última vez que estiveste aqui e continuo escrevendo. Eu nem sei mais porque escrevo, tu pareces ignorar meus pedidos. Mas as linhas preenchidas andam ajudando mais do que o calmante que eu tomo com água no copo de requeijão que tu deixaste aqui.

E toda vez que meu GPS me pergunta “Qual seu destino?” eu penso em colocar o teu nome para ver se ele te encontra por esta cidade. Ou quem sabe tu já tenhas te mudado para outro país. Mesmo se o resultado da procura por ti fosse Quinto-Dos-Infernos, eu iria te encontrar, mas não há resultado e tu permaneces foragido, os dias correm iguais e a dor continua latente.

Metaescrita

O meu fim de ano foi cheio de dúvidas e decisões: 8 ou 80. Uma das dúvidas era se eu continuaria cursando Jornalismo. Pesquisei outros cursos: Engenharia Ambiental, Gestão de RH, Relações Públicas, Administração. Nada parecia ser o certo. Então o que fazer?

Não sei, só sei que aqui me encontro, mais uma vez, declamando minha paixão pela tinta, pelas letras, pelas palavras, pelas expressões e pelas criações de palavras num vocabulário próprio meu. É meu. A liberdade que a escrita me dá é só minha. Oh, quanta liberdade há no mundo das letras. É lindo!

Não são as letras soltas que me envolvem – ainda que hipnotizantes – mas o que elas produzem quando estão juntas, aconchegadas na certa existência uma das outras. É a composição, a troca, as mudanças, as gírias. É essa coisa de artigos, preposições, orações subordinadas e pleonasmos.

E se eu me tornasse uma escritora, já que eu amo escrever? Mas a minha fraqueza humana começa a dizer-me que eu não tenho o necessário pra ser uma escritora bem sucedida. No máximo, uma escritora frustrada. Acho que eu sou a minha pior inimiga.

Mas quer saber de uma coisa? Talvez eu nunca me torne uma escriora famosa. Quem sabe eu acabe virando uma mulher de negócios, uma engenheira ou uma professora, mas não importa. Aonde quer que eu vá ou o que quer que seja que eu esteja fazendo, permitir-me-ei sentir. Permitir-me-ei amar e sofrer e tentarei traduzir tudo em palavras, porque isso eu sei fazer bem: colocar meus sentimentos, inexprimíveis à fala, no papel – ou na sua tela de computador.

Escrever me faz feliz e me realiza, mas se eu não viver da escrita, não morrerei. Basta-me viver pela escrita. Pra mim, é o suficiente!

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