Viva – Conselhos Pro Novo Ano
31 dez 2009 2 Comentários
em Desabafo
Confesso que comecei o ano de uma maneira otimista.
Eu tinha esperança que o Grêmio ia dar um show esse ano. Mesmo que até a metade do ano a situação tivesse sido difícil, eu tava com esperança. Campeonato Gaúcho, Brasileiro ou Libertadores, qualquer um. Tá certo que o Imortal tava usando uma tática, que tal, econômica: não jogava nada fora. Mesmo assim, eu tava confiante. Quebrei a cara! (se bem que aquele jogo contra o Mengão não foi nada mal, hein?)
Com muito otimismo, eu tava acreditando nos políticos, que eles fariam algo de bom nesse ano (além de comer pizza), que os investimentos para educação e saúde pública seriam devidamente efetivados, que tomariam juízo ao invés de esconder dinheiro nas cuecas, meias e outras peças de vestuário. Cheguei a acreditar que o Sarney iria cair fora. Acho que isso também não foi como eu planejava.
Calma, eu ainda tava com expectativas positivas. Esse era o ano que o povo brasileiro “tomaria jeito”. Eu tava com fé que a população, para se desestressar e esquecer um pouco do trabalho e dos problemas, resolveria ir ao teatro e ler mais ao invés de assistir programas televisivos que pouco acrescentam (SE acrescentam) às nossas vidas. Então “A Fazenda 2″ começou a passar na Record.
Eu ainda tava achando que depois de 1 ano de esforçosas tentativas, quase diárias, e subornos com balas, sorvetes, salgadinhos e afins (não contem para minha irmã), eu faria o meu sobrinho de 2 anos e 9 meses me chamar de TIA Claudia ao invés de “Cadilise”. Imagina se o pestinha anjo me daria essa alegria ; )
A última chance do meu ano terminar de uma maneira otimista também, a última tentativa, o último recurso, a última esperança era nós (eu e ele). Fala sério, éramos perfeitos, né? Tínhamos tudo para sermos felizes. Mas aquele “nós” também não deu certo.
Então agora é a hora de jogar tudo pro alto, não é? O Grêmio desapontou, os políticos fizeram igual (ou pior) aos outros anos, o índice de porcaria na televisão é ainda muito alta, o Rafa não me chama de tia e minha vida amorosa vai de mal a pior. É agora que eu desisto, certo?
ERRADO!
É agora que eu levanto a cabeça e vejo que um novo ano está começando e que eu tenho tudo para dar a volta por cima. Tá na hora de superar tudo que deu errado nesse 2009 e fazer um 2010 totalmente diferente ou melhor.
Esqueça as desilusões, as decepções e as frustrações, sejam elas amorosas ou de amizade.
Esqueça as dores de cabeça/de barriga/nas costas/no pescoço/nos pés.
Esqueça o cansaço, as demissões, as contas de luz/água/ telefone/ celular/ internet/ crediários.
Esqueça a perda de cabelo, os quilinhos a mais, os dentes tortos, as sombrancelhas por fazer, as unhas quebradas e as gordurinhas onde outrora havia músculos.
Esqueça a fraqueza dos ossos, os cabelos brancos e o fato de você já ter netos ou bisnetos.
VIVA UM NOVO 2010.
VIVA E SEJA FELIZ.
VIVA DE UMA MANEIRA OTIMISTA.
VIVA SEM OLHAR PRA TRÁS.
Quer saber de uma coisa, esqueça tudo o que eu disse até agora e me faz um favor?
SÓ VIVA!
Pensa Em Mim (?!)
30 dez 2009 3 Comentários
Música: Pensa Em Mim
Artista: Darwin
Clipe por: Life On A Draw
Curiosidade Desnecessária
29 dez 2009 12 Comentários
em Desabafo
Fiquei sabendo que você já tem “uma outra” alguém. Não vou dizer que foi surpresa, porque não foi. Surpresa foi a pessoa com quem tão rapidamente te envolveste.
E eu fiquei viajando cá com meus botões, como diz um certo garoto da serra gaúcha. Fiquei indagando, questionando, perguntando – e redundando - o jeito dela te tratar. Não por dor de cotovelo ou ciúme (tá, talvez um pouco por ciúme), mas muito mais por curiosidade.
Fiquei pensando se ela acorda no meio da noite e fica te olhando dormir, te vendo respirar profunda e calmamente enquanto tu dormes e se ela ri baixinho dos teus roncos…
Se ela tira sarro dos teus ”blusõesinhos de velho” ou de como a tua boca fica vermelha durante o inverno como se tu tivesses passado batom…
Se ela topa um mergulho, uma montanha de carboidratos ou uma corrida às 3 da manhã…
Se ela se arrepia toda vez que tu pronuncias aquele apelido meio crianção que tu resolveste dá-la ou se ela se sujeita a longas voltas de bicicleta contigo pela cidade…
Fiquei imaginando se ela tem um espírito infantil o suficiente para rolar contigo na grama e ficar 2 horas tirando gravetos, folhas e rosetas dos cabelos…
Se ela te ama mesmo com as tuas manias, erros e defeitos, principalmente quando todos os rapazes da lista de contatos do MSN, Orkut ou sei-lá-o-que dela resolvem galanteá-la…
Se ela assiste as tuas partidas de futebol ou lutas e grita até ficar rouca se tu ganha e te faz sentir como um vencedor caso tu perca…
Se ela resiste a tua voz ao pé do ouvido dela ou a essa tua careca loira e a tua cara de ordinário quando tu fazes esse charminho de bad boy apaixonado…
Fiquei ponderando se ela assiste os teus vídeos, lê teus textos, vê teus links, não importando quantos sejam ou de que tamanho e ainda faz comentários sobre casa um deles…
Se ela te ouve falar sobre alguma coisa que ela já não aguenta mais só porque você parece tão feliz falando sobre aquele assunto…
Se ela se derrete quando você a pega no colo e diz que ela foi a melhor coisa que aconteceu na tua vida em muito tempo e, ao copiar aquela fala maravilhosa, diz que beijá-la seria o fim da vida como você conhece…
Fiquei meditando se ela é fascinada pelas histórias que as marcas e cicatrizes do teu corpo contam ou pela maneira que os dedos dela deslizam livremente pelo teu cabelo…
Se ela tem tanto em comum contigo, se ela sabe da maioria das tuas histórias e causos e se ela sabe que tu não vale nem um pila e mesmo sabendo que tu não vale um pila, continua te amando da mesma maneira incondicional, significativa e eterna…
Será? Será que ela faz tudo isso?
Para Com Isso, Garota
29 dez 2009 Deixe um comentário
em Reflexões
Eu entendo que tu te sintas sozinha às vezes e que as coisas parecem não dar certo. Tudo parece ser sempre pros outros, né? Muitas vezes, tu pensas até que ponto as tuas amigas são tuas amigas de verdade, se elas são verdadeiras mesmo ou se elas só ficam perto de ti por tu não seres “competição”. Mas como elas são “populares”, e tu não queres perder a atenção que elas trazem, tu não te impões.
Entendo, também, que tu não tenhas o corpo da Megan Fox ou mesmo da Juliana Paes e os beiços da Angelina Jolie. Eu entendo como é chato ver todas aquelas meninas magrinhas e bonitinhas arrasando a torto e a direito os corações dos garotos que tu querias ter. E eu entendo que a tua inteligência não pareça ser tão atraente quanto um par de peitos, uma cintura fina e um bundão, mas para alguém ela pode parecer.
Posso te dar um conselho?
ACORDA, minha filha!
A vida não é feita só de (vã) popularidade.
Essas micro-mini-saias e essas blusas tão decotadas que tu usas, numa tentativa desesperada de chamar atenção de alguém, não te levarão a lugar nenhum. E acredite, essa maquiagem e essas fotos [sempre iguais] não vão ajudar nenhum pouco!
E o que adianta tu ficares mandando esses tuítes ridículos e tendo conversas frívolas e insignificantes com garotos do interior paulista pela web cam? E o que adiante tu teres mais amigos virtuais do que reais? A quantidade de FOLLOWERS que tu tens não demonstra o quão popular tu és.
Entendo que tu acompanhes o Big Brother Brasil, é a realidade brasileira, mas, sinceramente, não há nada melhor na televisão? E não me venha com desculpas, eu sei que tu tens TV a cabo.
De amiga pra amiga, TU NÃO PRECISAS DISSO. Quem sabe um livro, palavras cruzadas ou um jogo de Truco, Uno, mexe-mexe ou até mesmo uma partidinha de Taco no meio da rua com os amigos para relembrar os velhos tempos? Há outras alternativas, isso é certo.
Eu não sou nenhuma expert em comportamentos e relacionamentos – estou bem longe disso – mas tu devias procurar amizades verdadeiras, procurar saber que TU realmente és e não quem os outros querem que tu sejas e entender que os garotos não querem só uma gostosa para poder mostrar pros amigos, mas alguém que não os envergonhe ao abrir a boca. Então faça o favor de parar com isso.
Obrigada.
Inspirado em: Up, Altas Aventuras
27 dez 2009 1 Comentário
em Crônicas Tags:aventuras, Carl, Doug, Kevin, Russel, UP
Eu tava aqui, relembrando coisas, sentindo certos cheiros e gostos que outrora viveciamos juntos.
Foi uma aventura e tanto, não foi?
Éramos tão jovens e tão cheios de vontade. Tão apaixonados! O nosso livro de aventuras e o distintivo Ellie (de refrigerante de uva, é claro). A nossa casinha colorida que antes era uma casa velha e abandonada na qual nos conhecemos. A nossa caixinha de correio com nossos nomes e nossas mãos marcadas à tinta. As nossas poltronas sempre uma ao lado da outra e nossas mãos estrelaçadas enquanto líamos. Os balões que divertiam as crianças no zoológico. Piqueniques naquela colininha verde ao pé daquela robusta árvore sempre acompanhados de inúmeros desenhos nas nuvens. A tua companhia e apoio, mesmo quando os bebês não vieram. O nosso potinho de economias para a nossa grande aventura. Gravatas e mais gravatas, danças e sonhos esquecidos. A nossa velhice e a sua partida.
E eu estava pensando nos planos. Tantos planos. Mas o nosso maior sonho, o nosso maior desejo era levar a nossa casinha verde, amarela, laranja, azul e roxa ao Paraíso das Cachoeiras. Sem dúvida, o nosso maior sonho. E antes de partir, você me deixou a responsabilidade de partir numa nova aventura.
Agora eu parto em busco da nossa aventura. E não importa que eu tenha posto dezenas de milhares de balões pela chaminé da nossa casinha para levá-la até o Paraíso das Cachoeiras. E não importa que eu esteja realizando a nossa aventura sozinho ou com um garotinho escoteiro matraca de nome Russel que apelida narcejas de Kevin e que não aceita não como resposta. E não importa que meus companheiros sejam esse garoto Russel, a narceja Kevin e um cachorro bonzinho pra dedéu chamado Doug. E eu não vou deixar nenhum velho pesquisador maluco e fracassado com uma matilha de cães que fala estragar tudo o que a gente um dia sonhou.
Eu terei uma nova aventura, Ellie, EU JURO DE CORAÇÃO!
Era Natal
25 dez 2009 Deixe um comentário
em Crônicas
Saí apressada do trabalho. Era para eu ter trabalhado somente até às duas horas naquele 24/12, mas meu chefe teve a brilhante idéia de seguirmos até às cinco para terminarmos o comercial de uma nova importadora de carros. Corri até o mercado mais próximo na esperança de comprar qualquer coisa que talvez fizesse com que aquele primeiro 25 de Dezembro sozinha parecesse um Natal de verdade.
É claro que não havia mais nenhum Chester, Bruster ou qualquer coisa que se parecesse com uma ave, então peguei um frango dessossado no açougue. Também não havia muito o que comprar, até porque não havia mais uma grande variedade de produtos. Peguei algumas mangas para fazer o famoso Arroz 7 Grãos com Manga que a minha mãe costumava fazer e fui para a àrea das verduras. Havia alguns poucos repolhos, uns pés destroçados de alface e algo que lembrava um cérebro esmagado mas que deveria ser as beterrabas. Meu alvo eram os pimentões, os tomates e as cenouras para fazer algo que NUNCA faltava nas ceias de Natal com a minha família: SALPICÃO.
Quando fui pegar as últimas três cenouras, uma outra mão se meteu no meu caminho. Era um rapaz alto, cabelos negros e pele clara contrastando com seus olhos azuis (não que eu tenha reparado muito). Cada um segurando em uma ponta das cenouras, se analisando, estudando o oponente. Cena, ridícula, eu sei, mas, de repente, o motivo da minha existência e felicidade dependia daquelas cenouras. Era por elas que eu respirava e ficava em pé depois daquele exaustivo dia de trabalho ou, talvez, ano.
Ficamos nos encarando por um tempo, cada um puxando discretamente as cenouras para o seu lado enquanto media as palavras. Eu estava cansada e não tinha tempo para brincadeiras. Fui direta.
- Oi, tudo bom? Prazer, Daniela.
- Arthur, respondeu secamente.
- Olha, Arthur, eu trabalhei até às 17h, tô podre de cansada e eu só quero terminar essas compras, ir pra casa, tomar um banho e fazer uma janta rápida.
- Tudo bem, não sou eu quem irá te impedir.
- Beleza, então solta as cenouras.
- É, acho que isso não vai acontecer.
Olhei pasma para ele. Eu não acreditava que aquele moleque ia estragar a minha véspera de Natal.
- Tá, tô vendo que você não vai desistir tão fácil – você? é incrível como aquele jeito paulista me irritou – então quanto você vai querer para soltar as cenouras?
- Como é que é?
- É, garota, qual a quantia de dinheiro?
- Nenhuma, isso não é pelo dinheiro ou pelo meu ego. Eu preciso destas cenouras pra minha ceia de Natal! – me ouvi falar com a voz esganiçada e uma lágrima caindo do meu rosto.
O olhar dele mudou totalmente.
- Desculpa por essa situação, mas é que eu me mudei faz uns três meses e eu nem conheço a cidade direito e a minha família mora toda no sul do país e meu chefe fez com que trabalhássemos até hoje e eu não pude ir visitá-los e eu estou cansada e…
Ele me cala com um beijo.
- Você fala demais, né? Já entendi. Eu também vou passar esse Natal sem os coroas. Sem problemas! - disse, sorindo tão brilhante e honestamente quanto alguém poderia sorrir. Parecia um outro rapaz.
Ele estava indo embora quando, incoscientemente e quase gritando, eu disse:
- Queres passar a véspera comigo?
Ele se vira, rindo um pouco, me analisando.
- Eu não sou nenhuma maluca psicótica, a não ser quando tentam roubar as minhas cenouras…
- É eu percebi! - diz, sorrindo da mesma maneira.
- Mas eu que eu realmente não queria ficar sozinha e tu pareces inofensivo e já que travamos uma batalha tão acirrada por estas cenouras, que tal se nós as dividíssimos?
- Pareço inofensivo, é?
- Devo ter medo?
- Talvez um pouco.
Rimos. Fomos para o caixa, pagamos nossas compras e fomos para o meu apartamento, é claro. Pegamos o frango que ele tinha encomendado numa padaria, fiz o Arroz Sete Grãos com Manga e o salpicão. De banho tomado, ele arrumou a mesa na sacadinha: pratos, talheres, taças, velas e um Chardonnay.
Sentamos para comer com os pés no parapeito e uma lua imensa acima das nossas cabeças. Conversa vai, conversa vem, ele diz:
- Eu não queria as cenouras.
- Como assim?
- É, eu não as queria.
- O que foi aquilo então? – perguntei confusa.
- Eu queria a garota que queria as cenouras.
Eu não sei qual foi a minha reação, mas ele rapidamente se explicou.
- Eu vi a cara de alívio quando você olhou para as cenouras. Sabia que aquele era o seu último destino e a minha primeira e última chance de tentar te conquistar. Desculpa se eu fiz com que você se sentisse enganada, mas tudo aconteceu muito rápido e foi minha primeira idéia e…
Silencio-o com um beijo.
-Tu falas demais, né?
Brillant Object
23 dez 2009 Deixe um comentário
em Poema Tags:brilho, lua, noite, Poema, tranquilidade
Poem Space
Eu me recordo deste dia como se fosse ontem.
Eu havia chegado na faculdade fazia alguns poucos minutos e do lugar no qual eu desço até o meu centro, é preciso andar alguns metros. Enquanto eu andava, olhei pro céu e vi aquela grande bola brilhante flutuando naquela imensidão negra. Era lua cheia e ela estava especialmente branca. Continuei andando, mas não conseguia parar de olhar para ela, por mais que eu tentasse. Algo naquela noite, naquela fase da Lua, simplesmente me hipnotizou. Preciso dizer que cheguei atrasada na sala de aula?
Com vocês, Brillant Object!
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While walking around the campus
I see you
I avoid you’re look
But you chase me
You’re calling me
Calling my attention
I try to look away
But I fail
It’s hard resisting you
So bright and brilliant
Queen of the sky
At night: my moon!
A Doença
21 dez 2009 1 Comentário
em Crônicas
Eu não sei como e quando começou ou o que originou essa doença. Quando vi, já estava contaminada. Talvez tenha sido inconscientemente intencional, talvez intencionalmente acidental, mas fui contaminada.
Eu o encontrei doente, destruído, despedaçado, depressivo, destituído de tudo que compunha a maravilhosidade de ser quem ele era. Ele já não era o mesmo que eu havia conhecido há tantos anos, era o resto dele. A doença o havia contaminado quase que completamente.
Ele me ligou naquele dia dizendo que ela o havia deixado. Traído, trocado, largado, ele se sentia. Para mim, ele parecia imprestável naquelas condições. Grandes olheiras ao redor dos olhos cor de mel, cabelo bagunçado, a barba por fazer há algumas semanas. O apartamento está completamente sujo: comida misturada com as roupas, a pia cheia de louça e as persianas sempre fechadas davam um toque sinistro especial ao local. Talvez ele não tomasse banho fazia alguns dias, o que não era nada atraente. Ele estava completamente quebrado, mas talvez tenha sido isso. É, foi isso. Eu me apaixonei pela fragilidade e pela fraqueza dele e pelo ser que necessitava de mim, da minha ajuda. Droga, eu queria que eu alguém precisasse de mim!
Ele implorou pela minha ajuda. Disse que aquilo o estava corroendo, que não tinha forças pra sair de casa e que ninguém o amava. Ele havia dado seu coração para ela, mas ela não soube guardá-lo. Ele estava precisando de um coração, qualquer coração, e eu resolvi lhe entregar o meu. Começamos aos poucos. Primeiro, dei um jeito nele: ele tomou um banho, fez a barba e cortou o cabelo. Depois arrumamos o apartamento: roupas, louça, chão. Passeamos algumas vezes no parque à luz do dia para que ele se acostumasse de novo com o sol. Praticamos esportes, alugamos filmes, fomos em algumas festas, tudo para que ele superasse aquele trauma.
O tempo foi passando e a recuperação ficava cada vez mais evidente. Eu me empenhava arduamente em fazê-lo feliz, pois ele também me fazia feliz. E não era isso o que eu queria, ser feliz? Então ele estava feliz, mais otimista, tinha voltado a trabalhar e estava saindo com os seus amigos novamente e isso me fazia feliz. E a felicidade dele era tanta que ele arranjou uma nova namorada.
-Muito obrigada pela ajuda, Dani. Você é realmente uma grande amiga.
Amiga? Como assim? Peraí, volta aqui, explica isso direito. E as lágrimas derramadas no meu colo, foram vãs? E os gritos que eu acalmei enquanto tu dormias, um dever? E os beijos trocados, só prazer? E todo o trabalho que eu passei pra te consertar, foi banal?
Então, eu era somente a A M I G A. O horrível som dessa palavra maltrata os meus ouvidos. Eu me doei para ele e me dediquei. Assim, como ele havia feito, entreguei meu coração para ele; e assim como ela havia feito, ele só deixou um buraco no meu peito onde outrora havia o que eu possuía de mais valioso.
Agora, a doente sou eu. Desleixada, desmotivada, destruída e com um buraco gélido e sangrento no peito. Refugiada nos meu próprios pensamentos, nas minhas lembranças e nas minhas ilusões. O tempo parece não passar, a comida não é mais tão saborosa, as cores parecem mais desbotadas. Não encontro sentido em trabalhar, em dar continuada àquelas conversas desconfortáveis de elevador e em retornar ligações, a não ser que sejam dele.
Por todos os lugares que eu ando, as pessoas parecem me olhar de cantinho, desconfiadas. Elas devem estar pensando: “Pobre, garota. Olhe o estado dela. Deve estar num estado terminal.” E eu tenho medo de mim mesma. Medo desse monstro fraco e oprimido que toma conta de mim a cada dia que passa. Talvez eu só devesse parar de esperar por alguém que me salve assim como eu o salvei, porque finais felizes só vemos no cinema.
Why Not?
20 dez 2009 1 Comentário
em Poema Tags:desejos, futuro, Poema, promessas, você
Poem Space
Direto, honesto e dor-de-cotovelo, é assim que eu vejo esse poema. Apenas o desejo sincero que querer se doar e a pessoa não estar a altura de receber todo o amor oferecido.
Com vocês, Why not?
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I could have been the one for you
I could have, at least, tried
I could have made you silly songs
and not let our love simply die
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I could have awaken you when you were late to work
I could have been always there
I could have begged you to stay in bed
and special moments we would share
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I could have held your hands at night
and fought away your fears
I could have been your best company
through sad and happy years
-
I could have hugged your big body
whenever you needed me to
I could spent all my days
doing nothing as long as with you
-
I could have been the most faithful woman
you’d have ever seen
I could have been the most loving, frisky
or something in between
-
I could have been. I really could
I could have been, if you had wanted me to
I could have been, if you had let me be
I could have been, if you had tried
I could have been forever
—————————— by
——————————— your
———————————— side.
Eu posso, mas…
16 dez 2009 2 Comentários
em Amor (ou algo parecido), Reflexões
Eu posso mudar as coisas de lugar ou tirar os teus quadros e pôsteres da sala. Posso redecorar o apartamento: trocar os sofás, as cortinas, o colchão e os lençóis.
Eu posso pintar o quarto, por causa da tua mania de deitar na ponta da cama e pôr teus pés na parede que deixou diversas marcas. Posso pintar a cozinha para tirar aquela mancha da última vez em que fomos fazer um bolo juntos. Esqueceste de tampar o liquidificador, lembra?
Eu posso doar as tuas roupas, queimar os teus tênis, derramar teu perfume na pia. Posso jogar teus cremes, xampu e escova de dente no lixo. Posso dar o teu chinelo pro Pegasus, o rottweiler do 4D.
Eu posso pedir pros nossos amigos não falarem de ti para mim, não me convidarem para eventos nos quais tu também estarás e evitar os lugares que tu frequentas.
Eu posso excluir do computador e do MP3 todas as tuas músicas, todas as nossas músicas, todas as músicas que me lembrem de ti ou de nós. Posso quebrar os teus discos, os teus CD’s e os teus DVD’s.
Eu posso parar de ver todos os filmes, seriados, curtas, novelas que já comentamos, vimos, indicamos ou descobrimos. Posso doar os teus livros pro Banco de Livros.
Eu posso parar de comer certas comidas, vestir certas roupas e calçar certos sapatos. Posso jogar fora aquela tua camiseta velha que a gente usava como pano de chão e as luvas que tu usavas para pintar meu cabelo.
Eu posso jogar fora o teu pinheirinho de Natal, a decoração da Páscoa, do Hannukka, do Dia dos Namorados, de Carnaval, do Dia do Caminhoneiro e de todas as outras datas comemorativas que tu gostavas de comemorar.
Eu posso rasgar as nossas fotografias, ignorar as lembranças de cada beijo, de cada abraço, de cada festa, de cada conversa e cada qualquer coisinha que me lembre de ti.
Eu posso fazer cada uma dessas coisas, eu já até coloquei os enfeites numa caixa pra te devolver, mas eu gosto de como o apartamento todo é organizado e as tuas marcas nas paredes são lindas. E eu adoro as tuas roupas e tudo que me lembre do teu cheiro. E os teus discos, CD’s , DVD’s e livros são ótimos. E eu gosto mais ainda das minhas roupas e daquela camiseta velha dos Stones que a gente usava como pano de chão e das luvas já manchadas. As nossas fotografias estão na última gaveta e sob os nossos beijos, abraços e lembranças, eu já não tenho controle.
Eu posso apagar tudo que me lembre de ti, mesmo adorando cada uma dessas coisas, mas se eu me desfizer delas, o que vai sobrar de mim?