Mercadinho da Dona Sônia
29 nov 2009 Deixe um comentário
em Crônicas
Tocava sempre no radinho de pilha do mercadinho!
Eu tive que ir sozinha ao Mercadinho da Dona Sônia essa semana, porque antes era tu quem fazia as compras ou íamos juntos.
Eu me lembro da primeira vez que eu te levei lá: foi num sábado de tardezinha. Fazia três semana que tínhamos nos conhecido e tu foste comigo comprar toalha de papel, açucar, pipoca, uma escova de dente (pra ti), carne pro almoço que tu insistira em fazer no domingo e leite condesado para a sobremesa que ficara por minha conta. O pessoal te adorou, como já era o esperado e o engraçado é que não chegamos perto da cozinha naquele final de semana.
Bom, comprei o que eu precisava e, já que tu não estavas lá, comprei outrascositas que não eram tão necessárias.
- Não, a gente não precisa de chocolate. Vamos lá para as verduras - tu dizias. E eu ria, porque o viciado em chocolate era tu e não eu. Depois de muitas negociações, eu levava duas caixinhas de bis branco e tu pegavas alguns pepinos, tomates e alface – para eu comer, porque tu odeias frutas e legumes. Ah, e a Sprite sagrada (eca!).
Todos ficaram me olhando estranho, meio pensativos, porque tu te tornaste o cliente fiel da Dona Sônia. Logo depois que nos conhecemos, eu fui promovida e, consequentemente, mais trabalho. Então tu ficaste encarregado das compras durante a semana e nós dois no final de semana. Mas eu nunca aparecia no mercadinho sozinha.
Lembra daquele dia em que começou a cair uma chuva forte do nada e, que por preguiça de andarmos mais rápido ou corrermos, chegamos lá encharcados? E daquele dia em que eu te tirei da cama às 6h da manhã, também de um sábado, só para que tu comprasses um absorvente pra mim e tu foste de roupão e com a minha pantufa da pantera cor-de-rosa?
É, e mesmo eles tendo pensado e estranhado um pouco eu aparecer sozinha, isso não impediu o Seu Régis (açogueiro), a Dona Carmen (padeira), o Dudu (empacotador) e a Dona Sônia – que nos conhecia muito bem – de perguntar:
- Ué, cadê o Dani?
- Bom, acho que o Dani não vem mais, gente.
Foi o suficiente para que eles entendessem a situação e lá ia eu ouvir 27 motivos para eu não ficar triste e que quem sabe se nós tentássemos mais uma vez, porque éramos tão perfeitos juntos e blá blá blá. E pra completar, a frase esmagadora da Dona Sônia:
- Ai, querida, é uma pena, pois o mercadinho não será o mesmo sem vocês dois aqui.
“Eu sei, Dona Sônia, a minha vida não é a mesma sem ele também”, eu pensei.
Lembra naquele dia que eu te liguei chorando ao sair do trabalho e tu me ouviste, todo atencioso, e disseste que não era pra eu me preocupar, porque tu iria dar certo e que logo eu teria uma surpresa. Tu não me disseste quando e qual seria a surpresa e desligaste o telefone. Qual não foi meu espanto quando eu te vi no corredor dos doces do Mercadinho da Dona Sônia. Acho que só havia passado uma semana desde a primeira vez que eu tinha te levado lá e com só um mês de “rolo” tu sabias que eu iria me consolar com chocolates.
Passada aquela cerimônia, voltei à estante dos doces e peguei mais alguns chocolates. Fiquei encarando aquela latinha de Sprite no freezer do mercadinho, mas peguei a Fanta Uva ao lado dela.
Mesmo sendo um mercado pequeno, havia bastante movimento naquele dia. Havia duas meninas atendendo nos caixas, numa estavam uns 2 ou 3 meninos que trabalhavam lá mesmo e noutra um único cliente. Fui na que havia somente um cliente e em seguida o último dos meninos veio para o mesmo caixa para ser atendido mais rápido.
Quando a menina do caixa em que eu estava percebeu que ele estava ali, seus músculos contraíram e suas mãos começaram a tremer. Algo que, como você diria, somente eu notaria. Ela deu uma olhadela para o garoto atrás de mim e acertou com o cliente a minha frente. Quando foi a minha vez, ela me deu um bom dia meio desanimado, com um sorriso meio amarelo – talvez de nervosismo – e deu uma olhadinha de canto de olho para se certificar de que ele ainda estava lá. Ela me deu o troco e eu fiquei enrolando para pegar as sacolas para ver, bem de cantinho, como ela reagiria ao atendê-lo.
Ah, quando eu te vi pela primeira vez lá no Mercadinho da Dona Sônia. Tu nem te lembras, porque tu não me viste. Tínhamos 12 anos e eu me apaixonei na lata. Eu estava com a minha avó e tu com o teu irmão mais velho. Acho que vocês estavam visitando uma tia de vocês naquele bairro ou algo assim. Tu estavas vestindo uma bermuda preta, uma blusa vermelha e havaianas brancas. Cabelo meio desarrumado, correntinha de prata, bem se achando o dono do mundo. Eu me senti como a garota do caixa. Quando eu te vi, meus músculos contraíram, ficou difícil respirar e deixar a boca fechada. Todos pareciam estar andando em câmera lenta e eu só ouvia a tua risada. Sete anos depois nos reencontramos, não no Mercadinho da Dona Sônia, mas oficializamos as coisas lá.
Na vez do garoto, os músculos da garota do caixa descontraíram e ela começou a respirar mais calmamente, deu um bom dia mais animado e um sorriso mais sincero. Pela reação dela, ela devia gostar bastante dele e o garoto devia ser bonito, mas não sei dizer ao certo, porque eu não olhei para o rosto dele. Não sei se pela preguiça de ter que me virar ou pelo medo de vê-lo e esquecer do teu rosto, do teu maxilar, dos teus olhos e nariz, da tua simetria perfeita. O certo é que ela sentia algo por aquele garoto e sabe-se lá se ele correspondia ou sequer suspeitava.
Eu saí rindo do mercadinho e olhei para o lado para comentar a cena contigo. Ah é, tu não estavas lá. Então lembrei que, assim como tu perdeste essa cena, tu perderias muitas outras. Mas eu fico lembrando dela, pra que um dia desses, quem sabe, eu te encontre lá e possa te contar essa história e nós possamos tirar sarro dos dois e ter mais um momento feliz lá no Mercadinho da Dona Sônia.
That hurt
28 nov 2009 Deixe um comentário
em Poema Tags:decepção, palavras, Poema, promessa
Poem Space
Esse poema foi escrito há uns bons meses. Uma pessoa me prometeu algo naquela época e, um ou dois dias antes do compromisso, essa pessoa disse que não poderia comparecer simplesmente porque essa pessoa esqueceu do nosso acordo e combinou uma outra coisa no mesmo dia. Não prometa algo que você não irá cumprir, simples!
Com vocês, THAT HURT.
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Those two words penetraded deep into my being
They cut me inside and I was left bleeding
They kept echoing, on and on
They kept hurting for so long
I couldn’t say a word
In my throat there was a knot
It hurt so much when you said: “I forgot”
Não!
24 nov 2009 1 Comentário
em Desabafo
“Não é mais fácil pra mim (seguir em frente) do que é pra ti e tu não gosta mais de mim do que eu de ti, tu só demonstra mais, e só porque eu não demonstro tanto não quer dizer que eu não sinta. É claro que tem sentimento. Eu nunca quis te magoar ou fazer com que tu te sentisse usada, eu só aderi à sugestão que haviamos proposto. Eu nunca fiz nada que fosse ruim pra ti intencionalmente ou de modo premeditado. Eu sou uma pessoa impulsiva, inconstante, e tu não, e isso não é algo que tu tenha que aturar. Não querendo parecer clichê, mas tu merece mais.”
- Heartbreaker da Silva
Ai, gente, olha que coisa linda.
Tadinho, né?
NÃO!
Como diria nosso amigo Jack, O Estripador, vamos por partes.
“Não é mais fácil pra mim (seguir em frente) do que é pra ti e tu não gosta mais de mim do que eu de ti, tu só demonstra mais, e só porque eu não demonstro tanto não quer dizer que eu não sinta. É claro que tem sentimento.”
Eu poderia me derreter com essa frase, não é? Chegar a pensar, “Ah, quer dizer que ele gosta de mim, mas tem uma maneira diferente de demonstrar. Como eu fui boba em não reconhecer isso.”
NÃO!
Eu fico me sentindo na capa da gaita, uma qualquer, sem valor nenhum, e é tu, com essa postura de bom, com essa droga desse celular o tempo inteiro na mão e esse sorriso estampado no rosto, que faz com que eu me sinta assim. Se tu não demonstra tanto não é porque esse não é teu jeito, é porque tu não sentes, babaca!
“Eu nunca quis te magoar ou fazer com que tu te sentisse usada, eu só aderi à sugestão que haviamos proposto. Eu nunca fiz nada que fosse ruim pra ti intencionalmente ou de modo premeditado.”
Tu nunca quiseste me magoar. Tu te importas comigo. Não quer perder a minha amizade. Eu sei, eu sei. Pobrezinho!
NÃO, para falar bem a verdade, eu não sei NÃO!
Tô no meu direito, me dá licença?!
Eu quase acreditei nisso, sabe, naquele dia em que me disseste essas palavras tão “arrependidas” ou desejosas de “perdão”, porque eu não queria ter uma imagem ruim de ti – ou porque eu ainda tinha esperanças de voltar – mas tá difícil. A cada dia que passa tu te tornas menor e mais dispensável. E “eu só aderi à sugestão que havíamos proposto”? Prefiro não comentar!
“Eu sou uma pessoa impulsiva, inconstante, e tu não e isso não é algo que tu tenha que aturar. Não querendo parecer clichê, mas tu merece mais.”
Nisso, eu te dou razão!
IS x WAS
23 nov 2009 1 Comentário
em Poema Tags:fim, mais, Poema
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It is more
More than just burning desire
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For me, it is more
More than just easing the fire
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Oh, geez, it is much more
Much much more than just that
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It is about wanting to spend hours just talking non-stop to you;
and more
Wanting to share everything with you, joys and sorrows, senseless and serious thoughts, hopes and dreams;
and more
Wanting to jump in your arms and make us fall down;
-
For me it WAS more,
There WAS more
-
Now there’s nothing!
Sete Meses
14 nov 2009 5 Comentários
em Crônicas
Começou com um convite de amizade no orkut que levou ao pedido do MSN, que se desenvolveu numa amizade legal. Várias predileções em comum e conversas no MSN levaram a um convite de formatura. Nada demais, tu foste somente como um amigo. Mas será que era só isso que tu querias? Que eu queria? Que nós queríamos? Não, não era, então resolvemos o nosso dilema. Naquela noite mesmo. E foi bom, foi ótimo, foi tudo o que eu esperava. Acho que até mais. E partir daí só… foi! Tem uma foto que sempre quando olho, me acho idiota. Tirei com um amigo meu e em uma das minhas mãos tem a tua pulseirinha, a que tu precisavas para entrar na festa e que eu estava esperando, ansiosa, pra te entregar. Ai, ai, amor de verão.
E tu dizias: “Eu saí de um relacionamento faz pouco tempo e as coisas não acabaram muito bem. Eu não quero me apegar. Não quero namoro agora, ok”? Mas e daí, eu também não queria. Tu eras apenas um rapaz que me agradavas muito, mas nem eu nem tu procurávamos compromisso. A situação era perfeita. Perfeita foi a rasteira que o tempo, destino ou sei-lá-o-que me deu: me apaixonei.
Após a formatura, e durante os meses que se seguiram, conversamos, rimos, saímos e brincamos. Sem falar nas caminhadas ou voltas de bicicletas. Mas o que eu poderia fazer, um garoto trabalhador, adulto, dono de si e de um sorriso lindo, engraçado e amigo na minha frente? Como não me apaixonar? Sem falar nas manias que eu aprendi a amar e cheguei a decorar: o jeito inconsciente que tu mordias os teus lábios e fazias caretas quando ficavas pensativo e modo como me chamavas de “Maris”. Ah, e eu adorava! Orgulhosa, eu não iria admitir. Não pra ti, pelo menos. Fiquei remoendo esse sentimento, tentando suprimi-lo ou pelo menos guardá-lo pra quando tu finalmente o quisesses. Então levei numa boa, me declarando aos poucos, deixando claro como eu estava me sentindo. Um mês, dois meses, quatro meses!
“Chega”, disse pra mim mesma, “até quando eu vou me sujeitar a isso” Tentei terminar tudo. Eu estava insatisfeita com o nosso “relacionamento” e não podia levar a diante. Mas como eu poderia pôr um ponto final em “nós” quando tu dizias que mesmo não querendo relacionamento naquele momento, tu poderias vir a mudar de idéia em um mês ou dois? Como eu poderia por um fim na nossa história quando tu fazias constantes comparações com a tua ex, dizendo que eu era mais adulta, mais cabeça, mais isso, mais aquilo e mais-aquele-outro? Como eu poderia terminar tudo quando teus pais sabiam da minha existência, teu irmão me tratava como se eu fosse tua namorada e eu era assunto na casa de vocês? Como eu poderia ser tão forte a ponto de apagar os últimos maravilhosos meses da minha mente e seguir em frente? Eu não pude e não fui.
Sete meses. Sete meses até eu finalmente ser forte o suficiente para me impôr e decidir que aquilo não era o que eu queria. Sentados no café da estação, pondo um fim no que nem havia começado de verdade. “Continuaremos amigos, mas sem fechar as portas”, foi o que tu disseste que fez meu sangue ferver e arder de raiva. Tu falavas e falavas e tudo que eu pensava era “tão meu e de todas ao mesmo tempo”. Agora, não mais meu.
E tão rápido quanto foi o fim, foi a invasão da lembrança de nós dois ontem à noite. Chorei muito, de ficar com os olhos inchados, só lembrando de nós, de como foi bom. Lembrando dos momentos que, pra mim, bastava estar junto de ti, sabe? Só na tua companhia. Eu não precisava de mais nada. Lembrando das horas que eu, quando estava perto, não queria sair dali e de quando nos distanciávamos, logo eu tinha vontade de te ligar, ver onde tu estavas e ir atrás de ti. ( Rsrsrs ) Era muito bom. E acabou. E agora tenho medo de quando a gente se encontrar, sei lá. Eu achava que eu estava bem, mas sempre tem algo pra me mostrar que eu tô errada.
Tu vê, já se passou quase 4 meses e eu ainda não te esqueci, mas acho que é assim mesmo. Não vou dizer que é fácil, porque não é, principalmente quando tu segues em frente e eu fico aqui, estacionada no tempo com as lembranças de nós fixas na minha mente, de nossos melhores momentos, meus desejos frustrados e coração partido. É difícil, especialmente, quando a tua atual “amiga” vem falar comigo se achando no direito de perverter o que NÓS tivemos ou quando tu vens falar comigo no MSN como se nada tivesse acontecido e fôssemos amigos como éramos. Como diz meu pai: “Gostar é fácil, deixar de gostar que é uma merda”.
“Somos amigos, não somos?”
10 nov 2009 Deixe um comentário
em Desabafo
Peraí, como é que é? Repete, por obséquio. Amigos? Tá, cadê as câmeras? Pra quê as câmeras? É porque essa pergunta só pode ser uma brincadeira daquelas com câmera escondida. Ah, não é brincadeira, tu falaste sério e espera por uma resposta. Bem, vamos analisar a nossa situação então. Acho que verás que a resposta é bem simples.
Eu me doei, me joguei, me abri, me declarei. Te procurei, te amei, te aceitei e te permiti. Doei meu coração, te contei tudo que se passava dentro e fora de mim, disse o quanto eu gostava de ti e o meu medo de te perder, te mandava mensagens e afins sempre esperando que tu lembrasses de mim por mais um tempo e não quisesses ninguém mais. Mas o que me levava a pensar assim, amigo?
Lembra daquela vez que tu, passando os teus dedos longos suavemente na minha mão, disseste que a nossa situação era até bem boa, porque quando tu tivesses uma idade que tu consideravas própria para casar, eu estaria com a idade que eu achava própria pra me casar? Quem sabe tu lembres daquela vez, na formatura do meu pai, em que sentiste ciúmes de um amigo muito antigo (de idade e de tempo que nos conhecemos) da família, só porque eu estava conversando bastante com ele. [Detalhe: ele tinha 30 e poucos anos, careca (nada contra os carecas) e com mulher e filho]. Lembra disso, amigo?
E daquela vez que eu disse que eu não queria te perder naquele momento e tu ficou fazendo charminho e perguntando, ofendido, se eu queria te perder em algum outro momento, lembra, amigo? E eu te disse que é claro que não queria. E acrescentei um NUNCA, como se nunca fosse algo válido nessa paixão tresloucada, suportada apenas pela minha utopia amorosa de que talvez eu pudesse atravessar os espinhos que rodeavam o teu coração e abrir os teus olhos mais uma vez para o amor. E aí, amigo, suficiente?
Achei que o pensamento sobre casamento talvez existisse de verdade, que o ciúme fosse real e que tu talvez não quisesses me perder também. Eu, ingênua e tola, esperava que eu fosse o suficiente pra ti.
Não, “eu te disse que eu não queria nada sério” não cola mais, porque tu agias como se quisesses. E por mais que tu não quisesses, integralmente, ser só meu, tu demonstravas que eras e sustentavas o meu sentimento por ti. Eu não sou uma criança de 18 anos, sou uma mulher de 18 anos. E se tu não tivesses sido tão “ladies’s man, man’s man, man about town”, como o tal Catcher Block em Abaixo o Amor, tu terias percebido isso.
Mas não, o homem que eu admirava e enaltecia, que sempre falava “por favor, seja direta, não gosto de ficar adivinhando o que os outros pensam” ou “eu gosto de honestidade, mesmo que isso doa” não pode ser homem de verdade. Agora, eu sinto pena dessas tuas atitudes esdrúxulas, dessa tua honestidade forçada, desse ser patético em que te transformaste, mas mesmo assim obrigada. Agora vai ser bem mais fácil te esquecer.
Acho que a verdade sobre as pessoas sempre acaba sendo revelada, não é? Tu não és nada diferente daquele outro rapaz que me procurava, lembra dele? Logo antes de darmos início a essa tragédia épica. Tu dizias que ele não era muito confiável, que eu, provavelmente, não era a única que ele estava cortejando e que ele só queria uma coisa das meninas. Lembra dele, amigo?
Tu te pintaste de bonzinho, interessado, declarando o início de uma paixão. Admito que me enganaste bem. Representaste bem o teu papel, mas as cortinas já fecharam, viu amigo, e sem que tu percebesse, a tua máscara caiu no meio do espetáculo.
Eu já te disse, é mais fácil para algumas pessoas do que para outras. Então vai. Vai e te esquenta nos braços delas, daquelas garotas que tu dizia não valer nada, festeiras e, desculpem o termo, xuranhas. Segue em frente e vive a tua vida que eu também vou viver a minha.
Por mais que eu queira te xingar, te encher de desaforo, eu não vou. Não vou descer a esse nível, porque por mais que eu esteja dividida, ofendida, decepcionada e com raiva, eu não pretendo protagonizar uma daquelas cenas tipo Norminha e Abel da novela das 8h.
E eu vou seguir escrevendo e publicando coisas que eu escrevi pra ti, porque pelo menos isso eu sei que é real. Não se engane, entretanto, porque elas foram escritas num tempo que eu ainda tinha qualquer motivo pra sentir respeito por ti. Desculpe a apropriação daquela velha piada, mas o Respeito morreu.
Daí tu me perguntas “Somos amigos, não somos?”
Não, querido amigo, não somos amigos.
Volta, vai?
04 nov 2009 1 Comentário
Desculpa ter te xingado nesse fim de semana, mas é que eu não tava te esperando. Ficaste sumido por um tempo e voltou assim do nada. Tu tens que me entender. Deixa de charme e volta, vai?
E a culpa foi tua também. Eu não tava preparada pra ti e foi tudo meio rápido demais. E ainda por cima, tu quase me queimas. Mas eu te desculpo. Para de ser revoltado com a vida e volta, vai?
Foi tudo da boca pra fora. Tu sabes o quanto eu te adoro, né? Eu não tive a intenção. Por favor! Tô me sentindo meio boba estar aqui pedindo pra ti voltar, mas larga mão de ser beiçudinho e volta, vai?
Vai, sol, volta. Só volta, por favor. Volta pra me esquentar, porque eu já não tenho mais ele do meu lado pra fazer isso!
Diz que volta, vai?
Chuva de Verão
03 nov 2009 Deixe um comentário
Te vi hoje, meio a contra gosto. Camisa branca, daquelas tipo “mamãe-tô-forte” e aquele cabelo meio punk. Ri por dentro. Tu riste pra mim e eu te cumprimentei meio de canto, meio de longe. Que situação idiota!
Mas como sempre, depois de um tempo fingimos que nada aconteceu e começamos a conversar naturalmente. Falamos besteiras, rimos. Meio acanhados, mas ainda sendo “nós”.
É incrível como tu consegues maliciar qualquer coisa que eu diga, dando aquelas indiretinhas de guri de ensino médio. Mas ainda assim, é tu. Ou, pelo menos, o tu quando estás comigo. É o tu que eu gosto. Meio anjo, meio ordinário.
Depois disso, fiquei pensando no nosso caso. Não, caso não. Caso é muito pejorativo. Que tal, “nosso amor”? Eca, meloso demais. Fiquei pensando no nosso caso de amor. Isso, caso de amor é bem melhor. Fiquei pensando nos nossos ups and downs e como foi tudo tão bom enquanto durou.
Fiquei pensando em como descrever o que vivenciamos. Foi refrescante, meio quente e aliviante. Era como se aprendêssemos a respirar novamente. Foi forte, intenso e muito de repente. Nos pegou de surpresa como uma chuva de verão. É, foi uma chuva de verão, só que no inverno!
Aproveitando o sol…
02 nov 2009 Deixe um comentário
em Crônicas
A música naquele dia foi irlandesa.
Acordamos naquele dia às 14h. Tudo bem, era feriado do mesmo. Fomos pra cozinha. A excitação do final de semana, a vontade de nos termos, fechados em nosso casulo, foi tão grande que esquecemos de fazer compras. Tínhamos farinha, ovos e leite.
- PANQUECAS!, nós dois gritamos.
Nos olhamos surpresos e explodimos em gargalhadas. Almoço decidido, música ligada (teu cd do Flogging Molly), mãos na massa.
Bati os ingredientes no liquidificador e fiquei te olhando arrumar a mesa. O sol batendo na mesa refletia no teu corpo, no teu cabelo, nos teus olhos. Tão sereno, tão suave, tão meu.
Lembrei que havia esquecido de pôr uma pitadinha de sal. Tu ris da minha “pitadinha” e me alcanças o sal perguntando se eu preciso de ajuda.
- Sim, vem me dar um abraço.
Tu vens, todo prestativo. Me abraças e me giras. Eu pego um pouco da massa da panqueca e passo no teu rosto. Uma linha reta, da tua cicatriz até a ponta do teu nariz. Tu me olhas como quem diz que eu me arrependerei, pega um punhado de farinha e despeja na minha cabeça. Eu pego mais um pouco de massa, passo nas tuas bochecas e me desvencilho do teu abraço. Tu me persegues pela cozinha. Me alcanças e caímos no chão. Eu, enfarinhada, e tu, cheio de massa no rosto, passas as tuas bochechas no meu rosto e me beijas.
Ficamos ali um tempo e decidimos agir como adultos. Nos levantamos, terminamos as panquecas e passamos o resto do dia na varanda, aproveitando o sol, desejando que tivéssemos mais dias assim e que aquele dia nunca acabasse!
A Revolta do Corpo
02 nov 2009 1 Comentário
Tudo anda tão… estranho. É, acho que estranho é a palavra certa. Os dias são estranhos, as pessoas são estranhas e tenho a leve impressão que meu corpo está tramando algo contra mim.
Meu sistema nervoso, por algum motivo, resolveu operar por si próprio. Ele comanda meus músculos, meus órgãos, meus nervos, minha respiração, minha pressão arterial, minha temperatura e meu batimento cardíaco sem me consultar antes.
Difícil de entender? Vou dar um exemplo. Toda vez que te vejo meus músculos se contraem, meus órgãos não sabem como operar, meus nervos trabalham especialmente por ti, fica difícil respirar, minha pressão baixa, minha temperatura sobe e meu batimento cardíaco acelera. Tudo dentro de mim, mas sem mim! Entendeu?
Com esse impasse, resolvi dar um tempo pra ele. Você pensa: “Ele? Ele quem”. Calma, eu explico. Dei um tempo pro meu corpo. É, isso o que você ouviu. Deixei ele assimilar as coisas, digerir a notícia. Na realidade, dei um tempo para ele se acostumar com ideia. Não há muito que eu possa fazer. Tive uma DR comigo mesma. Conversei, debati, expliquei.
Insisti para os meu braços pararem de ficar abertos pra ti. Supliquei para os meus olhos não fecharem mais por ti, não olharem mais pra ti, não sorrirem pedindo por ti. Disse para as minhas lágrimas pararem de cair. Falei para minha mente deletar as nossas lembranças das pastas “Dias Felizes”, “Planos Para O Futuro” e “Mr. Right”. Além, é claro, de deletar os backups feitos e enviados para três contas de e-mail, só para me certificar que eu não esqueceria de nada, nenhum pedacinho de “nós”. Pedi para os meus pés esquecerem caminhos já traçados que me levavam ou ainda me levam até ti.
Depois dessa DR, descobri quem está por trás dessa trama: meu coração. Aquele traidor ordinário. Eu espera isso da pele que, por ser um dos órgãos mais influenciáveis do corpo, tem essa propabilidade de rebelar-se. Esperava até mesmo dos dendritos que ficam lá, só esperando os estimulos nervosos dos “outros”, não agem sozinhos. Esperava isso de qualquer um, menos dele.
Acho que meu coração está brabo comigo. Brabo por eu o ter entregue novamente a quem não o merecia. Brabo por eu ter esquecido como ele é apegado às pessoas e por não ter pensado em como ele se sentiria caso tudo acabasse. É, ele está bravo. E me castiga, fazendo com que tudo em mim me lembre de ti.